quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Máscara

Se não fosse pela poesia
Um ator eu seria.
Adoro mentir, ser quem não sou
E enganar quem em mim tanto acreditou.

A falsidade é minha melhor amiga
Uma bela mentira é a coisa mais meiga.
Sou como todos poetas, um fingidor
Logro pelo bel-prazer de ver sua dor.

Visto uma máscara sobre a tristeza
Máscara essa que se enche de mentiras
Mas sem ela a alegria é uma incerteza

Já até esqueci o que é sinceridade
Já desisti das reais ideias
E nem sei mais o que é amor de verdade.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A verdade e você

Não é que minha alma seja pequena
Mas sabe, você não valeu a pena.
Os sofrimentos foram de força intensa
E a pouca alegria que trouxe não compensa.

Você parecia bem melhor
Mas logo vi que era gêmea da dor.
De longe esbanjava doçura
Mas de perto mostrou-se tão imatura.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Como amar uma desconhecida

Vês aquela nova garota?
Sim, a de pele ebúrnea mesmo.
É bonita, não achas?
Acho ótimo que concordamos.
Faça o seguinte então:
Finja que ela é inteligente,
Simpática e engraçada.
Muito bem!
Agora falta apenas um passo.
Projeta nela todos seus sonhos.
Perfeito. Conseguiste um amor ímpar
E estás pronto para mais uma desilusão.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ninguém me chama de querido

Não, ninguém me chama de querido
Quando não querem nada de mim.
Não encontro sorrisos
Se não há nenhum número envolvido.
Todos esquecem meu nome no fim
Quando longe dos deveres incompletos.

Sou completamente invisível
Fora de um centro acadêmico.
Ouço muitas vezes meu nome
Ao pedirem que explique o incompreensível.
Ninguém diz que sou único
Exceto quando tentam entender um pronome.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

umadeusaLauraMarling

Eu sei que não sou deus nenhum
Estou mais para um fracasso
Um homem errante que canta sobre romance.

Já você, é uma deusa, Laura Marling
Sonho tanto, sonho com seu novo jeito romântico
E que você é um fantasma que partiu meu coração.

Eu sei que há felicidade do outro lado do rio
Mas, infelizmente, não sei nadar
Poderíamos ir ao México, eu, você e o meu violão.

Então escrevo um adeus a Laura Marling, coberta em neve
Embora haja esperança no ar e eu cruze meus dedos
Deve ser Karma, a descida da escuridão ou uma fala do diabo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lovesick

Estou fraco, querida
Minha pele esfria a cada dia
Meu corpo dói com sua partida
A tristeza minha vida invadia

Diziam não haver cura
Até que o quarto você invadiu
Trazendo sua alegria e brancura
E a ideia da morte dissuadiu.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Fama

Eu sentia de todos o calor
Garotas e garotos me tocavam
Todos me davam amor
Doces corpos me adulavam

Garotas com roupas instigantes
De rostos angelicais e mentes vulgares
Peles marfíneas e lábios ardentes.

O sentimento não era verdadeiro
O toque, sim.
Embora o desejo fosse lisonjeiro
Naqueles jovens eu via Caim.

Garotos de corpos encantadores
Levavam-nos a outros ares
Jurando prazer e ternos amores.

Eu fiz tudo isso pela fama, baby, a fama.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Perdido

Eu não pertenço àqui
Meu coração ficou acolá.
Não sei como me perdi
E como pude pensar
Que hoje é melhor que antes
Que tu és melhor que ela
Que eram melhores acompanhantes
Que podia deixa minha donzela.
Sinto-me perdido
Eu não devia estar com vocês
Ficarei a procurar aquele rosto cândido
Daquela menina de ar burguês.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um soneto para alguém

Ela era tudo que eu queria.
Ela era tudo o que eu sonhava.
Todas noites em que eu a perdia.
Era nela que eu pensava.

Seus lábios eram de tenra doçura
Suas mãos afagavam minha face
Seu calor me tirava da tristeza escura
Esquecer-lhe seria pura idiotice.

Escrevo então para ti
Mesmo eu não sabendo quem és
Mas sabendo que tanto sofri.

Escrevo então para você
E jogo-me aos seus pés
Não por amar-lhe, mas para sair da mesmice.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Amor próprio

Amo-me intensamente
Mas não como os outros
Não me amo para poder amar os outros
Amo-me apenas para amar-me.

Admiro tudo o que eu faço
Amo apenas as musas que crio
Choro apenas com minhas tragédias
Leio apenas versos por mim escritos

Amo-me fielmente
Amar-me-ei até o fim
Oh, Lucas, como amo-te.