quarta-feira, 28 de março de 2012

Este é um poema de amor.
Todos os versos nele escritos não importam
Nem para a literatura
Nem para a sua musa.

Este é um poema de amor.
Um entre milhões
E todos eles são horríveis,
Patéticos e inconsequentes.

Este é um poema de amor.
Uma pergunta sem resposta,
Um grito que não ecoa,
Um filme sem espectador.

Este é um poema de amor.
Eu a amo.
Ela não me ama.
Assim é um poema de amor.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Casamento.

Já me apaixonei por mais de uma centena de moças,
Isso se contarmos os amores instantâneos, é claro,
E por alguns poucos moços também, mas isso pouco importa.
Pois o que eu quero exprimir neste poema
É o meu pesar em perceber que casarei com uma mulher tediosa.
Apesar de todas as musas que encontrei em ruas e avenidas,
Apesar de todos os sonhos que construí em minha cama,
Apesar de tudo que eu poderia ter sido, serei nada.

Tantos amores jogados no lixo,
E os sonhos, onde ponho?
Que fim trágico para um garoto que tanto tentou ser algo mais.
Sim, casarei com uma mulher que não amarei,
Casarei com uma loira, apesar de preferir morenas,
Casarei com uma mulher que não gostará de poesia,
Casarei com uma mulher que muito possivelmente me amará,
E isso é o que mais me assusta.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Arrisco-me a dizer que existam milhões
De pessoas atraentes em todo o mundo,
E vou além, arrisco-me a crer nisso.

Pois bem, com tantas pessoas por quem poderias te apaixonar
Por que haveria de ser logo ela?
Eu te juro, amigo, existem outras centenas que o aceitariam como és.
Logo tu, que sempre foste tão racional, tão lógico,
Te rendeste ao amor?
Não, não te jogues nesta ruína.

Pensa comigo,
Amá-la só trará dores a ti,
Pensar nela acabará com toda a tua atenção.
Não há motivos para amá-la, eu te digo.
Cá entre nós, há muitas moças melhores,
E algumas destas poderão amar-te de volta, eu juro.

Tens certeza?
Bem, se é isso que queres,
Abrir mão de uma vida feliz,
De alguém que te ame de volta,
E querer esquecer os milhões de pessoas
Apenas por causa de uma.
Bem, eu o entendo, e honestamente,
Isso faz perfeito sentido.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Uma piada.

O amor é uma piada, meu bem.
Uma piada de mau gosto, deve-se destacar.
Se eu acho graça?
Claro que não.

Mas como toda piada maldosa
Há quem ria do amor,
Há os sádicos como tu,
Que se aproveitam dos ingênuos
E os fazem de tolos.

O amor é uma piada.
E que piada mal contada, querida.
Mas, ainda assim,
Não consegues parar de rir.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Pouco importa a poesia, convenhamos.
Rimas, métrica, sincretismo e pentâmetros
Pouco importam também.
Mandemos as figuras de linguagem para o inferno de uma vez por todas.
Esse poema não tem noção de forma, mas é o melhor que já escrevi
Pois ele há-de dizer o que quero dizer agora e só,
Sem pretensões ou coisas do tipo.
Se eu quero dizer que amo a moça da camisa roxa,
Eu amo a moça da camisa roxa.
Se eu quero fazer críticas à sociedade
Que eu as faça, que eu as faça de uma só vez.
Mas eu ainda amo a moça da camisa roxa.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A invenção do amor.

Sorriu-me mais do que deveria, querida,
Agora o estrago já está feito.
Não me venha com desculpas
Ou com falsas verdades.
Você sabe que não devia ter feito isto,
E agora estou aqui, a escrever-te teu poema inaugural.

Ninguém jamais saberá o quão bonita é essa sensação,
Cair em amores tendo perfeita consciência
De que tudo dará errado, de que sofrerei novamente.
Não, ninguém faz ideia de como isso é bom.

Pouco importa, honestamente.
Tanto ninguém saber quanto a certeza da decepção,
Pois não é saber que terei meu coração partido
Que me impede de parti-lo.

Mas a culpa é toda minha, admitamos.
Não é porque me sorriu,
Não é porque é tão linda,
Não é por nenhuma intervenção divina.
É porque eu nasci para isso,
Mentir, criar e dissimular.
Eu nasci para abusar de clichês,
Eu nasci para dizer-te que te amo
Sem amar-te completamente.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sim, eu te culpo por tudo de errado que eu fiz,
E tu também sabes que a culpa cai sobre teu colo.
Pois se não tivesses traspassado minha vida como um punhal
Nada disso teria acontecido.

É bem verdade que eu ofendi teu namorado quando o vi,
Mas não é ele que eu odeio.
Odeio bem mais tu e eu,
Ao menos o eu que eu era há cinco anos.
Pois não foi esse teu namorado que te roubou de mim,
Fui eu quem te deixou partir sem oferecer resistência.

De qualquer jeito, amo-te,
Mas não te empolga, querida.
Pois amo-te Capitu de Matacavalos,
E não Capitu da praia da Glória.
Amo-te inocência,
E não perversidade.
Amo-te passado,
E não presente.
Amo-te menina que nunca foi minha,
E não esta que é de outros.