quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Miseráveis.

Desisti de escrever para você ou para mim.
Esse poema é para os meus semelhantes,
Portanto deixemos o egoísmo de lado.

Esse poema é para o cavaleiro
Que foi lutar com o dragão
E por ele foi devorado.

Esse poema é para o rapaz
Que apaixonou-se por uma moça
Que mora a nove mil quilômetros dele.

Esse poema é para o pai
Que tentou salvar seu filho
E falhou miseravelmente.

Esse poema é para o garoto
Que teve seu coração partido há cinco anos
E não a esqueceu.

Esse poema é para o jogador
Que nem perdeu o pênalti ou o converteu,
Foi apenas deixado de lado.

Esse poema é para o escritor
Que sonhava mudar o mundo
E nem mesmo foi publicado.

Esse poema é para aquele que cometeu um crime
Mas porque tinha fome, mas não
Porque tinha o charme de criminosos cinematográficos.

Esse poema é para o moço
Que não conseguiu ir
Mas que ninguém sentiu a falta.

Esse poema é para aqueles
Que nem mesmo são lembrados
Nem mesmo neste poema.

Mas esse poema só não é seu
Nem meu, minha querida,
Não dessa vez.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sorrisos, ou sobre uma boa amiga.

Não é que eu te ame,
Apenas a admiro imenso.
Mas não, não se sinta ofendida,
Gosto de estar com você
E gosto muito de você.

Só não pense que a amo,
Pois isso seria absurdo,
Só queria dizer que,
Se me sorrir,
Eu te sorrio de volta.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Hoje tudo não teve graça,
Via as pessoas como pessoas,
Via os carros como carros,
Amigos como amigos,
E nada mais.

Qual a graça de ver tudo como é?
Como podem viver sem sonhar?
Deus, como repudio o ser adulto.

Quem me dera voltar atrás,
Pobre do Luquinhas.
O Luquinhas morreu,
Ele está enterrado
Debaixo de tantas memórias,
Debaixo de tanto tempo.
Tenho saudade do ser criança.

Quem me dera brincar feito tolo,
Correr de lá para cá, com o vento,
Cair, sangrar, brincar.
Não fazer ideia do que são responsabilidades, não ligar para regras estabelecidas [anteriormente
Querer ser como os adultos,
Brincar de ser astronauta,
Médico, jogador de futebol,
Professor ou qualquer outra coisa.
Mesmo sem saber que, quando adulto,
Repudiará ser adulto, não quererá essas profissões,
E sem pensar que um dia sonhará voltar a esse tempo.

E isso tudo em apenas quinze ou catorze anos,
Não quero saber o que será de mim daqui a trinta,
Não façamos conjecturas,
Que seja o que será.
Não faço ideia de quem será minha esposa,
Se as garotas que amei há três anos já me esqueceram,
(Como pode perder-se tanto em três anos?)
Quem amar-me-á em trinta?
Quem ainda conhecerei em trinta?

E pobre de mim, pobre de mim.
Não do eu presente, pois este é o que menos merece pena.
Nem do eu de três anos atrás, pois mereceu seu destino.
Talvez o eu de quinze até mereça um pouco de dó, deem-lhe isto ao menos.
Mas pobre do eu de daqui a trinta anos, pobre dele,
Pobre dele que olhará para tudo isto em seu passado,
Pobre dele que terá vergonha do que farei amanhã,
Pobre dele que chorará pelo Luquinhas,
Pelo menos ele rirá do eu de três anos atrás,
Mas pobre dele por ter de ler esse poema
E pensar que foi escrito por ele mesmo.
Acima de tudo, pobre dele,
Pobre dele que virou adulto.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Coma.

Ficas tão linda assim,
De olhos cerrados,
E serenidade divina.

Teu cabelo caído de lado,
Tua boca carmesim,
E o rosto ebúrneo.

Tenho saudades de ti,
Mas não posso negar que, assim,
Pareces até uma obra de arte.

Queria ouvir tua voz,
Queria poder beijar-te
E sentir teu calor.

Acorda, querida,
Ah, minha bela adormecida,
Mas o meu beijo não te acordará.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Olhares trocados em um trem.

Olhares trocados em um trem,
Melhores que qualquer sentimento real.
Aqueles olhares que fizeram-me ganhar o dia,

Os olhares que nem sei se foram trocados,
Talvez os tenhamos trocado por acidente,
Ainda assim, sonhei com sorrisos seus,
Com tudo que poderia acontecer,
E foi bem melhor que qualquer realidade.

Por que fui olhar logo para você?
Em meio a onze milhões, logo você,
Você com seu suéter azul,
Você que amanhã esqueço de tudo,
E cujo suéter talvez fosse vinho,
Mas por vinte minutos, você não era você,
Você era minha, em minha mente.

Olhares trocados, e nada mais,
E ainda há gente que beija as garotas,
Há rapazes que as namoram,
E, por mais absurdo que pareça, casam!
Qual a graça disso tudo?
Qual a graça de viver?

Fiquem com a história,
Atenho-me à poesia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vinte e quatro mil quinhentos e trinta dias.

Cada segundo a mais que vês do filme que passarás a adorar
É um segundo desconhecido a menos do teu agora filme favorito.
Nunca mais ouvirás aquela frase de efeito e sentirás a mesma tristeza,
Nunca mais aquele beijo repentino surpreender-te-á.
E o final, esse será sempre igual,
Pouco importa se o querias pouco melhor,
Ela nunca o amará de verdade,
Ele nunca deixará de ser um tolo.

Do mesmo modo, cada palavra que lês do livro que encantar-te-á
É uma palavra a menos no rol das palavras que te emocionam,
Sempre que leres aquele verso, saberás o que o segue,
E nunca mais te empolgarás ao entender o jogo métrico com o sentido,
Pois já o conheces de cor.
E a virada no enredo nunca mais te pegará de surpresa

E cada beijo que te dou é um beijo a menos entre os que posso dar-te,
Cada sorriso que me sorris é um sorriso a menos nos que tirarei de ti.
Os segredos que me contas são a minha maior tristeza,
Pois nunca mais serão secretos, perderam sua pureza.
Até o dia em que partirás e tudo isso que era porvir tornar-se-á passado.

Assim é a vida, um constante fazer coisas que nunca mais poderão ser feitas,
Uma constante perda de pureza, de mistério, de surpresa,
Um olhar para trás e ver o que já foi presente e antes disso futuro,
Uma luta contra a passagem do tempo e suas implicações,
Desde a hora em que nascemos e tudo no mundo é futuro,
Quando o mero respirar é coisa nova
Até o dia da nossa morte, quando nada mais nos resta.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O dia antes de conhecer-te.

Recordo-me de como foi
O dia antes de conhecer-te,
Estava nublado
Ou ensolarado,
Acho que não lembro direito.

Nesse dia, acordei de mau humor,
Ou foi sorridente?
Não sei mais ao certo.

Se não me engano, ia estudar,
Ou era um sábado?
Talvez tenha saído com meus amigos,
Não faço a mínima ideia.

Mas tenho certeza de que usava aquela camiseta azul
Aquela que você adorou no momento que viu.
Se bem que talvez eu usasse uma blusa preta.
Se bem que isso pouco importa, para ser sincero.

Não fazia ideia de que a conheceria no dia seguinte,
E acordei da mesma maneira como sempre acordo.

O dia antes de conhecer-te
Foi como qualquer outro dia,
Assim como todos os seguintes.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Não escrevo para obter algum sucesso,
Ou viver disso a receber milhões.
Escrevo para dar longa vida à arte,
Escrevo apenas para não sofrer,
Projetando o sofrer no papel branco,
Retirando-o do meu peito preto.

Eu escrevo para só os críticos rirem,
Ao implorar para não me rotularem,
Quando bradar que não me enfiem fôrma
Ou uma forma como devo escrever.
Para o inferno com qualquer dessas formas,
Escrevo bem como bem entender.

Faço do poema uma maquiagem,
Onde posso esconder os meus segredos.
Sem esquecer de pintar minha vida.
Também tenho de embelezar as moças,
Eu escrevo para as garotas corarem,
Reconhecendo-se em todos meus versos.

Por último, não me esqueço dos moços,
Garotos que amam meninas sublimes
E a quem um dia fui igual, antes disso.
Antes de pensar arte salvadora,
Antes de odiar as formas e rótulos,
De perder-me pelas mesmas meninas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Ontem eu dormi com a janela aberta.
Apenas uma fresta, nada fora do comum.
Mesmo assim, a fresta trazia o mundo
Para onde ele não deveria estar
Enquanto eu dormia com a janela aberta.

Ontem eu dormi com a janela aberta.
Era realmente um jogo de azar,
Pois não sabia o que poderia vir,
Abri-me a tudo que há de bom e ruim
Ao dormir com a janela aberta.

Ontem eu dormi com a janela aberta.
Todo sussurro lá fora gritava no silêncio,
Qualquer faísca era de iluminar o quarto,
E um leve gemido era alguém a morrer,
Quando tentava dormir com a janela aberta.

Ontem eu dormi com a janela aberta.
Não me recordo do porquê,
Talvez quisesse sentir emoções,
Talvez esperasse por você,
Mas não dormirei mais com a janela aberta.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Littleton.

O olho que mantinha aberto para a realidade
Eu fechei.
Dei um adeus a tudo que me cerca
E parti.

Meu coração flanador parte em viagem,
Voa pela vida, e jamais pousa sobre o real.
Meu coração flana por todo o mundo,
Por todos os lugares,
Contanto que sejam irreais.

Meus sonhos são aqueles que ninguém sonha,
E os sonho acordado, apenas para diferenciar-me
Dos reais, essas pobres criaturas
Que sonham dormindo
E vivem acordados.
Mas essas regras não me apetecem,
Exijo sonhar acordado
E viver em meus sonhos, apenas isso.

O meu amor simplesmente não existe,
A garota dos meus sonhos fica por lá mesmo.
Isso mesmo, apaixonei-me por quem criei,

Meu tempo é um porvir,
E meu lar qualquer lugar,
Contanto que não aqui.