quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Hoje tudo não teve graça,
Via as pessoas como pessoas,
Via os carros como carros,
Amigos como amigos,
E nada mais.

Qual a graça de ver tudo como é?
Como podem viver sem sonhar?
Deus, como repudio o ser adulto.

Quem me dera voltar atrás,
Pobre do Luquinhas.
O Luquinhas morreu,
Ele está enterrado
Debaixo de tantas memórias,
Debaixo de tanto tempo.
Tenho saudade do ser criança.

Quem me dera brincar feito tolo,
Correr de lá para cá, com o vento,
Cair, sangrar, brincar.
Não fazer ideia do que são responsabilidades, não ligar para regras estabelecidas [anteriormente
Querer ser como os adultos,
Brincar de ser astronauta,
Médico, jogador de futebol,
Professor ou qualquer outra coisa.
Mesmo sem saber que, quando adulto,
Repudiará ser adulto, não quererá essas profissões,
E sem pensar que um dia sonhará voltar a esse tempo.

E isso tudo em apenas quinze ou catorze anos,
Não quero saber o que será de mim daqui a trinta,
Não façamos conjecturas,
Que seja o que será.
Não faço ideia de quem será minha esposa,
Se as garotas que amei há três anos já me esqueceram,
(Como pode perder-se tanto em três anos?)
Quem amar-me-á em trinta?
Quem ainda conhecerei em trinta?

E pobre de mim, pobre de mim.
Não do eu presente, pois este é o que menos merece pena.
Nem do eu de três anos atrás, pois mereceu seu destino.
Talvez o eu de quinze até mereça um pouco de dó, deem-lhe isto ao menos.
Mas pobre do eu de daqui a trinta anos, pobre dele,
Pobre dele que olhará para tudo isto em seu passado,
Pobre dele que terá vergonha do que farei amanhã,
Pobre dele que chorará pelo Luquinhas,
Pelo menos ele rirá do eu de três anos atrás,
Mas pobre dele por ter de ler esse poema
E pensar que foi escrito por ele mesmo.
Acima de tudo, pobre dele,
Pobre dele que virou adulto.

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