sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sobre simplicidade.

Há coisas que ficam melhores se forem ditas de maneira direta,
Sem prolixidade, sem ornato, sem prolongar-se em dizer o óbvio.
Eu te amo e só, ou melhor,
Te amo.

Longas explicações não se fazem necessárias,
Não preciso explicar o porquê de amar-te,
Muito embora sejam inúmeros os motivos.

Como os teus gostos, minha querida,
É quase impossível crer que existas.
Alguém que adore a arte como adoras.
Tanto as plásticas como qualquer outra,
Sabes admirar todas, de maneira única.
Alguém que ama a literatura como amas,
Toda a poesia, seja minha ou não,
Seja lírica ou épica.
Assim como amas a prosa, meu bem,
Romances e contos, encantam-te todos,
E é isso que te faz tão encantadora.

Mas não apenas isso, és completa,
É adorável também o teu comportamento.
Sim, bondosa e gentil.
E toda a graça que tens em tudo que faz?
Tão engraçada, tão amável.
Não há como passar um minuto contigo sem sorrir,
Não há como conhecer-te sem te amar.

E, bem, tudo isso apenas em termos não-estéticos,
Pois a estética aumenta o sentimento.
Os teus olhos têm essa cor castanha
Que lembra-me o chá que tanto amamos.
A tua boca, colorada, aquece-me,
E tem gosto do mesmo chá do olhar.
Teus cabelos macios, perfumados,
Cheiram-me a petricor, como amo a chuva.
Teu toque é a grama a tocar-me nos pés.

Sim, és tudo isso e ainda muito mais, poderia perder dias a escrever,
Embora ame-a por motivos muito mais simples, que não precisam de explicações.
Mas acho que fica muito melhor dizer
Te amo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Antes fosse uma falha,
Quem me dera envergonhá-los.

Mas não, tenho de ser nada.
Nem mesmo decepção consigo ser,
Nunca serei lembrado,
Nem mesmo como o que perdeu.

Preferia ser odiado a ser nada.
Antes fosse uma falha.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Não leias se estiveres com o coração em chamas.

Pois, antes de tudo, não lerás de todo,
Estarás mais ocupado em apagar o incêndio
E o texto será deixado de lado.

Não leias se estiveres com o coração em chamas.

Para evitares de colocar fogo em tuas ideias,
E o poema já é belo sem o teu calor,
Evites queimar toda a tua arte.

Não leias se estiveres com o coração em chamas.

Pensa só na sujeira que poderás causar.
E o mau cheiro que pode ficar?
A fumaça não combina com a poesia.

Não leias se estiveres com o coração em chama.

Mas, acima de tudo,
Não o faças por um simples motivo:
Não quero que queimes meu amor.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Amor adotivo.

Eu ia te escrever um poema,
Seria dos melhores, coisa brilhante,
Mas jamais poderias lê-lo.
De que adiantaria?

Imagina o amor que eu podia ter, seria maior que uma baleia.
Todas as referências que eu colocaria nele,
Tudo que te faria lembrar de mim,
Sabes o que eu poderia te escrever?

Eu criaria o carinho como um filho
E colocaria todo tipo de trocadilho,
Citações dos teus artistas favoritos,
Frases dos teus filmes prediletos.

Eu cuidaria de ti como um doutor, querida.
Não deixes que esse amor sossegue,
Pois como um cão ao seu dono segue
Eu vou atrás de ti, espero que essa luz não me cegue.

Mas eu posso ser um pouco mais leve,
E sonhar sobre dias contigo em um bosque
Sonhar em olhar para as nossas estrelas
(Isso deveria estar no verdadeiro poema. Spoilers, querida).

E pouco importa se os outros não gostarem deste poema,
Só me importa o que achares dele, querida,
Um dia eu ainda o enviarei para ti,
Um dia eu ainda estarei aí.

Em nossa pequena cidade,
No nosso pequeno amor,
Na nossa pequena vida,
E pouco importam os outros.

Minha querida, que será de mim sem ti?
E tu, como consegues viver sem mim?
Mas o nosso amor não nasceu em nós, eu o escolhi,
E o nosso amor é meramente adotivo.