segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Acordei esta madrugada em desespero.
Havia percebido que nunca mais te veria
Lamentei por toda a manhã
Chorei por ter perdido-te pela eternidade.

Ao arrumar-me, vi-te em mim.
Cheio de teus trejeitos,
Fazendo tuas piadas
Vivendo como tu.

Encaminhei-me para os estudos
E lembrei de ti ao passar por aquele lugar.
Ao bater do sino, abri o livro,
Nele li aquele poema, que tanto adoravas.

Voltei para cá e apanhei o violão
Enquanto arriscava um ou outro acorde,
Lembrei daquela canção que ensinaste-me
E sorri ao ver que não posso deixar-te.

Dormirei esta noite em pleno sossego
Sei que nunca hei de te perder.
Enquanto eu tiver a mim e a um espelho
Acompanhar-me-á por todos lugares.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Para o inferno com as políticas.
Honestamente, pouco me importam tais coisas.
Se o mundo está ou não a pegar fogo
É algo com que o mundo deve lidar, e não eu.

Não são de meu interesse essas crises e derivados
Não, importo-me com a arte apenas.
Política interna é a minha relação com minha criação.
Política externa é a minha relação com outros artistas.

Eis tudo que deve ser dito.
Deixem de lado os jornais e as revoltas.
Revolução, apenas de cunho artístico.
Não temos de destituir líderes de seus cargos,
Amemos apenas, nós mesmos e a arte.
Deixemos as políticas de lado
Deixemo-las no inferno.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um livro.

De cá até aí são oito mil e uns poucos quilómetros
Os quais, viajados à velocidade média da aviação
Resultariam em, aproximadamente, nove horas e dez minutos.

Certo, façamos portanto as contas:
Se sempre que leio é por uma hora ininterrupta
E nessa hora leio em média vinte páginas,
Nas nove horas e algo mais leria cento e oitenta e poucas páginas.
Cento e oitenta e poucas páginas resultam em um livro.

Portanto, não preocupa-te, amor,
Já estou a acabar de lê-lo
E, no mais tardar, chego na próxima semana.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Poema astrofísico

Eu era algum material espacial qualquer
Nem um pouco especial, apenas existia.
Porém, um dia, ao passar por ti
Fui pego por isso, que tanto me puxava em tua direcção.
Diziam ser uma tal de gravidade, mas é tua amabilidade.
Todos em torno de ti tendem a serem puxados junto de tua presença.
Éramos tão conectados que alguns criam que fôssemos um planeta duplo.

Mas apesar disso tudo, eu tentei deixar-te
Enquanto orbitava em sua volta, tentei fugir.
Adoptaria uma trajectória tangencial e tudo resolvido
Mas algo me impedia, disseram ser uma força...
Força centrípeta, eles disseram.
Discordo, era apenas a força do meu amor por ti, Terra.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não vejo um porquê
De viver a vida como eles pedem
Desse jeito regrado e sistematizado.
Não, não quero ser assim.
Nascer, crescer, obedecer, aprender
Trabalhar, engravidar, criar, morrer.
Quero a tudo isso alguns verbos acrescentar
Eu quero acima de tudo viver
Quero junto de tudo amar.
Sim, quero amar a todo momento,
Quero ter o prazer de fazer o que estou fazendo.

Não vejo futuro nessa vida
Sem novidades ou mudanças.
Não quero estudar algo apenas por uma prova
Quero estudar para aprender, e crescer.
Quero crescer sempre, mentalmente.
Quero ser mais do que jamais fui.
Mas se nada disso der certo
Quero apenas ser teu.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Uraniano.

Proponho-lhes uma revolução
Revolução essa de inspiração uraniana.
Peço-lhes que entendamos o amor
Em qualquer de suas formas.
Peço que aceitemos todos
Inclusive aqueles que possuem uma psique que não condiz com o corpo.

Ajo dessa forma graças a essa revolução.
Podem estranhar à primeira vista,
Porém, um dia isso será considerado normal.

O amor é amor, apenas isso.
Não importam os sexos envolvidos.
Há-de se amar se teu coração pedir
Não olha para a aparência da pessoa, apenas para sua essência.
Se ela é fisicamente igual a ti, ignora.
Ignora e ama.

É tudo que cá é reivindicado
O amor pela simples alegria de amar.
Ama, jovem uraniano,
Ama e sê feliz.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

À la manière de R. Reis.

Vivamos, Cloe, a nossa
Vida apenas. Deixemos
Os outros viverem com eles
E nada mais. Vivamos nosso
Amor sozinhos, gota a gota.

Ignoremos as vidas
Alheias. Destes que
O tomam em um gole apenas.
Deixemo-los passar, tal como
O rio, que corre sob nós dois.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pedidos.

Quero um futuro bom.
Com sorrisos e esperanças.
Repleto de mudança e de alegria.

Quero uma amável esposa
Artística, seja na vida ou na profissão.
Ela será uma mulher linda
Mas sábia, acima de tudo.
Ela será excelente mãe
E melhor ainda amante.
Eterna musa de meus poemas
Fará de nossa vida uma linda canção.

Quero também bons amigos
Porque só de amor homem nenhum vive.
Esses amigos hão de ser inteligentes
Não precisam saber um pouco de tudo
Mas tudo de um pouco estaria de bom tamanho.
Com eles terei grandes discussões filosóficas
E, por outro lado, admiraremos coisas tolas também.

Quero além disso ser bom no que farei.
Respeitado professor e admirado literato
E o contrário, se possível.
Quero que todos tomem-me como exemplo
Quero, acima de tudo, tomar-me como exemplo.

Quero, por fim, ter bons filhos.
Inteligentes, bonitos e bondosos.
Que eles continuem o meu legado
E que encham-me de orgulho a todo dia.

Quero, acima de tudo, bem mais que tudo
Ser feliz. Eis meu único pedido.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Invejo-lhe demasiadamente.
O modo como é tão despreocupado
Como não liga para obrigações ou deveres
E como a todos ignora.

Nossa! Que admirável que é.
Esse modo como é mau com todos
Esse jeito leviano com o qual trata a vida
E sua impassibilidade perante os outros.

Por deus, como eu queria ser como você.
Ter relacionamentos instáveis
Partir e ter o coração partido.
Deixar todos arrasados.

É sim incrível.
Não há como crer em sua burrice
Nem em sua arrogância.
Realmente, é incrível.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quadrinha.

Quis teu bem a toda hora
Mas me deste um espinho
Jogaste meu coração fora
Doeu e fez sanguinho.