terça-feira, 28 de setembro de 2010

Aposto

Como um aposto, tão sem gosto, o seu rosto
Tentou ficar na minha mente.
Mas falhou esse rosto mal disposto.

Aposto que você não faria nada
Para deixar de ser esse
Aposto que nada acrescenta à minha oração.

Eu aposto que de ti não gosto
Se quiser até te mostro que não estou contente
E nesse rosto eu sequer encosto.

Aposto que você não faria nada
Para deixar de ser esse
Aposto que não toca o meu coração.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A outro amor aniversariante

Amei-a como se a tivesse
Vivi como se ela estivesse ao meu lado
Ri como se suas piadas fossem para mim
Inocentemente acreditei que pudesse tê-la
Logrei a mim mesmo com essa paixão

Li seus versos como se fossem meus
Armei para mim mesmo essa decepção
Vi minha queda ao sair da ilusão
Infligi sequelas inapagáveis em meu coração
Gastei minhas lágrimas por quem não me conhecia
Neguei que ela não era minha
E amei quem mais merecia.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Canção da mediocridade

Tornou-se tão simples
E também tão sem graça.
Hoje você faz
Tudo que abominava.
Abraça todos que odiava.

Tornou-se tão medíocre.
Não possui mais nada
De diferente ou extraordinário.
Tudo que você sonhava
Foi deixado pra trás.

Como pode fazer isso?
Deixar seus desejos e ambições
Em troca de beijos e afeições.

Como pode pensar isso?
Que alguns abraços e sorrisos
Preencheriam seus pensamentos vazios.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Estoica

Como podes ser tão impassível?
E não reagir aos meus sentimentos.
Como consegues ser tão insensível?
E não consentir meus sofrimentos.
Dize-me, por que nunca ficas eufórica?

Como fazes para ser tão calma?
E não ficar aflita jamais.
Como escondes tão bem tua alma?
E não ter pensamentos anormais.
Dize-me, por que és tão estoica?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dezessete

Eu deveria estar diferente
Eu deveria estar contente
O mundo me parece igual
O mundo me parece tão normal

O céu continua cinzento
O mundo continua nojento
A cidade continua melancólica
A vida continua metafísica

Aos dezessete, eu deveria ser alguém
Aos dezessete, eu deveria ter ido além
Mas ainda sofro como quando era pequeno
Mas ainda tomo do seu veneno.

Dezessete pessoas se perderam na multidão
Dezessete sonhos se perderam na minha mão
Eu deveria ter me dedicado às letras.
Eu deveria ter te esquecido com dezessete outras

Mas nem dezessete mil anos me fariam esquecer-te.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sinceridade

É, eu não serei nada do que quis
É, jamais lhe farei feliz.
Não, eu nunca serei o seu sonho.
Tampouco receberei o reconhecimento que não mereci.
E mais essa noite dormirei pensando em ti.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O erro

Inclinasse-se, idiota
Ela curvou-se a ti
Beijasse aquela meninota
Todos seus sonhos bem ali
Mas escolheu errar
Então, que fique a chorar.

Tinha à sua frente o rosto dela
Mas não escolheu o contato
Amasse aquela donzela
Mas preferiu ser o senhor sensato
Preferiu o constrangimento
E ficará com o sofrimento.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Para ser genial, sê verdadeiro: nada
Sobre o mundo inventa ou omite.
Sê verdadeiro em todas coisas. Mostra a verdade
No mínimo que contas.
Assim em cada mar o sol todo
Brilha, porque alto e verdadeiro vive.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um conflito

Só sorrio
Sem o seu sorriso

Só sou belo
Quando você não vê

Só sou engraçado
Quando você não escuta

Só sou gentil
Longe de ti

Só sou inteligente
Quando você não avalia

Só sou talentoso
Quando você não se importa

E só me ama
Quando eu não estou.