segunda-feira, 28 de maio de 2012

Retrato.

Olha só esse retrato, querida.
Olha só esse retrato que encontrei.
Vês nele tudo aquilo que fomos?
Vês nele o quão feliz eu estava?
É claro que não, é só um retrato.

Olha só esse retrato, meu bem.
Olha só esse retrato antigo.
Sabes o que eu pensava quando foi tirado?
Sabes o quanto eu te amava naquele dia?
É claro que não, é só um retrato.

Mas o retrato amarelou,
E o amor também.
Não que o amor seja o retrato,
Nem que o retrato seja "retrato",
E o tu é só você.
Chega de romantismos e coisas do tipo,
Chega de contos de fada.
Só falta dizer que escrevo com uma pena,
Ou até que a amo de verdade.
Haja ilusão, querida.

O retrato é só fotografia,
Fotografia na verdade é só foto,
Digital, ainda por cima,
Assim como nosso amor
Era meramente virtual e inexistente.

Olha só esse retrato, meu amor.
Olha só esse retrato de nós dois.
Se um dia serei feliz como era contigo?
Se eu realmente te amava?
É só um retrato.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Fósforo.

Um poema é um fósforo.
Basta um pequeno atrito,
Qualquer coisa que o toque,
Para acendê-lo no mundo.

Mas agora se apresse,
Pois o fósforo logo apaga
E tudo pode se perder.

A escolha é toda sua.
Uma vela para ter luz
Por ainda mais tempo?
Ou talvez um cigarro
Para se sentir bem e completo?
Ou quem sabe apenas deixá-lo queimar?

Bem, a escolha é só sua.
Luz, prazer ou nada,
É você que sabe,
Mas cá está o seu fósforo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Há vezes em que me pergunto,
Se há moças que um dia me amaram,
Se há moças que em mim pensam antes de dormir.

E nessas vezes eu penso,
Se, assim como faço com tantas,
Há moças que se apaixonam por mim ao simples olhar,
Se há poetisas que vão para casa e sobre mim escrevem.

E há outras tantas vezes nas quais também me pergunto,
Se alguma moça que por minha vida passou um dia me amou,
Ou se, ainda no porvir, haverá moça que me ame.

E todas essas reflexões e perguntas,
Não me levam nunca a lugar nenhum,
Se encontro resposta? Jamais.

Não, nunca,
Jamais.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Brincadeiras.

Tratas como uma brincadeira
Teu amor, meus medos.
Assim como trato minha poesia,
Sem afinco nem paixão nenhuma.

Tratas como uma brincadeira
Ao zombar de meus amores,
Ao zombar de minhas perdas,
Com sorrisos, com sadismos. 

Tratas como uma brincadeira,
Quando dizes, quando mentes.
Ah, prometes teu amor,
Uma triste brincadeira.

Essa brincadeira tão maldosa.
Dá-me falsas alegrias.
Faz sonhar que posso alegrar-me,
Faz sonhar que posso tê-la.

Chamas todos para uma brincadeira,
Teus amigos, todos são chamados
Mário, Carlos, não esqueces deles,
Todos outros são lembrados.

Mas na tua brincadeira,
Só esqueces um garoto,
Último a ser chamado,
Último a ser amado.

Fora só deixaste ele,
Fora só deixaste um menino.
Fora para sempre louco por ti,
Ah, mas deixas sempre um de fora.

Só eu.