sábado, 15 de dezembro de 2012

Sobre tomates.

As pessoas e esses seus gostos.
Sempre a tender para os mais doces
Ou os mais salgados,
Sempre pelos extremos
Sempre pelos saborosos.

Ou adoram essas flores
Tão cheirosas e tolas,
Com suas pétalas tão belas
Mas, acima de tudo, tediosas.

Ainda prefiro você,
Meu querido tomate,
Pois seu gosto, mesmo insosso,
É aquele que mais gosto.
Já o cheiro, pouco importa.
E, quanto à beleza, meu bem,
Sempre amei vermelho.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pesadelos.

Veja só o que me disseram hoje, querida:
Disseram-me que não existes.

Absurdo, não?
Pois se não existes,
Com quem durmo?
Quem é que me acalma
Quando sofro de solidão?

Se não existes,
Que mãos me afagam?
Que corpo me aquece
Durante a noite fria?

Se não existes,
De quem são os olhos que vejo
À noite quando vou dormir?
E os beijos, estes hão de ser teus.

Querida?
Responda-me, querida.
Querida?

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Deixem-me ser.
Não aguento mais censuras.
Chega de sanções.
Não me cortem o cabelo.
Parem com as castrações.
Deixem-me livre.

Deixem-me na água.
Não me forcem a nada.
Deixem-me nadar.

Não me puxes pelo pulso, não,
Toma-me pela mão.
Sim, toma-me pela mão.
Pois não é que não quero ir,
Apenas não quero ir desse modo.

Vamos com amor?
Vamos com arte?
Vamos com respeito?
Eu iria com prazer.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ontem eu dormi com a realidade.
Troquei tu por você,
Acordei de mau humor.

As moças que sorriam nas paulistanas ruas
Eram apenas mulheres ordinárias
Que não sorriam.

Os cavalheiros gentis no bonde
Não passavam de homens brutos
Que empurravam todos no trem.

Os poemas recitados pelos jovens
 Não existiam, simples assim,
Realidade e poesia não convivem, amigos.

As conversas amigáveis na praça
Desmascaravam-se em discussões,
Xingamentos sem nenhuma razão.

O amor... bem, o amor
Não é coisa que se deva esperar nesse universo,
Ao menos não na realidade em que vivemos.

A adorável garota e seus olhos verde-mar
Não eram nada de mais,
Apenas duas coisas a mais em meu dia, nem tudo precisa fazer de motivo divino.
Os olhos encontraram os meus, é bem verdade,
Mas foi um acidente, como todo o resto,
Ela nunca mais olhou para mim.

Dormi com a realidade, querida,
Aconchegou-me, tocou-me, foi tão bom.
E não sinto mais saudade de você.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sobre aeroportos.

Que nos resta agora?
Mudamos tanto,
Perdemos tanto,
Ganhamos tanto,
Esquecemos tanto.
No caminho
Até esse aeroporto-vida.

O que temos em comum?
Além do que vemos
Ao olhar para trás.
Vós não sois mais
Aqueles que conheci.
Eu não sou mais,
Aquele que conhecestes.

Aonde vamos?
Alto, bem alto,
Acrediteis em mim.
Esses aviões não têm destino
Que não a glória, meus amigos.
Nossos dias estão contados,
Não contemos mais com isso.

Que nos resta dizer?
Sayonara, pelas memórias,
Auf wiedersehen, pelas risadas,
Arrivederci, pela sabedoria,
Adiós, pela amizade,
Goodbye, pelas canções,
Adeus, pelo amor.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Li todos os poemas,
Ouvi todas as canções.
Mas não há no mundo
Amor como esse, querida.

Não porque sejamos especiais,
Não que nosso amor seja maior,
Mas nenhum poeta era eu, meu bem,
Nem mesmo escreviam para ti.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Tudo que vem de fora é melhor.

Tudo que vem de fora é melhor.
Como haveria de não ser?
Céus, eu sou o inferno,
E tudo que vem de mim é lixo.
As emoções vividas por outros
São as únicas que valem.
As minhas ideias são vazias como cestos,
Os meus sonhos descartáveis,
Nada que venha de mim possui valor.
Não sou nada, nada mesmo,
E ainda assim tento ser tanto.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sobre simplicidade.

Há coisas que ficam melhores se forem ditas de maneira direta,
Sem prolixidade, sem ornato, sem prolongar-se em dizer o óbvio.
Eu te amo e só, ou melhor,
Te amo.

Longas explicações não se fazem necessárias,
Não preciso explicar o porquê de amar-te,
Muito embora sejam inúmeros os motivos.

Como os teus gostos, minha querida,
É quase impossível crer que existas.
Alguém que adore a arte como adoras.
Tanto as plásticas como qualquer outra,
Sabes admirar todas, de maneira única.
Alguém que ama a literatura como amas,
Toda a poesia, seja minha ou não,
Seja lírica ou épica.
Assim como amas a prosa, meu bem,
Romances e contos, encantam-te todos,
E é isso que te faz tão encantadora.

Mas não apenas isso, és completa,
É adorável também o teu comportamento.
Sim, bondosa e gentil.
E toda a graça que tens em tudo que faz?
Tão engraçada, tão amável.
Não há como passar um minuto contigo sem sorrir,
Não há como conhecer-te sem te amar.

E, bem, tudo isso apenas em termos não-estéticos,
Pois a estética aumenta o sentimento.
Os teus olhos têm essa cor castanha
Que lembra-me o chá que tanto amamos.
A tua boca, colorada, aquece-me,
E tem gosto do mesmo chá do olhar.
Teus cabelos macios, perfumados,
Cheiram-me a petricor, como amo a chuva.
Teu toque é a grama a tocar-me nos pés.

Sim, és tudo isso e ainda muito mais, poderia perder dias a escrever,
Embora ame-a por motivos muito mais simples, que não precisam de explicações.
Mas acho que fica muito melhor dizer
Te amo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Antes fosse uma falha,
Quem me dera envergonhá-los.

Mas não, tenho de ser nada.
Nem mesmo decepção consigo ser,
Nunca serei lembrado,
Nem mesmo como o que perdeu.

Preferia ser odiado a ser nada.
Antes fosse uma falha.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Não leias se estiveres com o coração em chamas.

Pois, antes de tudo, não lerás de todo,
Estarás mais ocupado em apagar o incêndio
E o texto será deixado de lado.

Não leias se estiveres com o coração em chamas.

Para evitares de colocar fogo em tuas ideias,
E o poema já é belo sem o teu calor,
Evites queimar toda a tua arte.

Não leias se estiveres com o coração em chamas.

Pensa só na sujeira que poderás causar.
E o mau cheiro que pode ficar?
A fumaça não combina com a poesia.

Não leias se estiveres com o coração em chama.

Mas, acima de tudo,
Não o faças por um simples motivo:
Não quero que queimes meu amor.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Amor adotivo.

Eu ia te escrever um poema,
Seria dos melhores, coisa brilhante,
Mas jamais poderias lê-lo.
De que adiantaria?

Imagina o amor que eu podia ter, seria maior que uma baleia.
Todas as referências que eu colocaria nele,
Tudo que te faria lembrar de mim,
Sabes o que eu poderia te escrever?

Eu criaria o carinho como um filho
E colocaria todo tipo de trocadilho,
Citações dos teus artistas favoritos,
Frases dos teus filmes prediletos.

Eu cuidaria de ti como um doutor, querida.
Não deixes que esse amor sossegue,
Pois como um cão ao seu dono segue
Eu vou atrás de ti, espero que essa luz não me cegue.

Mas eu posso ser um pouco mais leve,
E sonhar sobre dias contigo em um bosque
Sonhar em olhar para as nossas estrelas
(Isso deveria estar no verdadeiro poema. Spoilers, querida).

E pouco importa se os outros não gostarem deste poema,
Só me importa o que achares dele, querida,
Um dia eu ainda o enviarei para ti,
Um dia eu ainda estarei aí.

Em nossa pequena cidade,
No nosso pequeno amor,
Na nossa pequena vida,
E pouco importam os outros.

Minha querida, que será de mim sem ti?
E tu, como consegues viver sem mim?
Mas o nosso amor não nasceu em nós, eu o escolhi,
E o nosso amor é meramente adotivo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Miseráveis.

Desisti de escrever para você ou para mim.
Esse poema é para os meus semelhantes,
Portanto deixemos o egoísmo de lado.

Esse poema é para o cavaleiro
Que foi lutar com o dragão
E por ele foi devorado.

Esse poema é para o rapaz
Que apaixonou-se por uma moça
Que mora a nove mil quilômetros dele.

Esse poema é para o pai
Que tentou salvar seu filho
E falhou miseravelmente.

Esse poema é para o garoto
Que teve seu coração partido há cinco anos
E não a esqueceu.

Esse poema é para o jogador
Que nem perdeu o pênalti ou o converteu,
Foi apenas deixado de lado.

Esse poema é para o escritor
Que sonhava mudar o mundo
E nem mesmo foi publicado.

Esse poema é para aquele que cometeu um crime
Mas porque tinha fome, mas não
Porque tinha o charme de criminosos cinematográficos.

Esse poema é para o moço
Que não conseguiu ir
Mas que ninguém sentiu a falta.

Esse poema é para aqueles
Que nem mesmo são lembrados
Nem mesmo neste poema.

Mas esse poema só não é seu
Nem meu, minha querida,
Não dessa vez.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sorrisos, ou sobre uma boa amiga.

Não é que eu te ame,
Apenas a admiro imenso.
Mas não, não se sinta ofendida,
Gosto de estar com você
E gosto muito de você.

Só não pense que a amo,
Pois isso seria absurdo,
Só queria dizer que,
Se me sorrir,
Eu te sorrio de volta.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Hoje tudo não teve graça,
Via as pessoas como pessoas,
Via os carros como carros,
Amigos como amigos,
E nada mais.

Qual a graça de ver tudo como é?
Como podem viver sem sonhar?
Deus, como repudio o ser adulto.

Quem me dera voltar atrás,
Pobre do Luquinhas.
O Luquinhas morreu,
Ele está enterrado
Debaixo de tantas memórias,
Debaixo de tanto tempo.
Tenho saudade do ser criança.

Quem me dera brincar feito tolo,
Correr de lá para cá, com o vento,
Cair, sangrar, brincar.
Não fazer ideia do que são responsabilidades, não ligar para regras estabelecidas [anteriormente
Querer ser como os adultos,
Brincar de ser astronauta,
Médico, jogador de futebol,
Professor ou qualquer outra coisa.
Mesmo sem saber que, quando adulto,
Repudiará ser adulto, não quererá essas profissões,
E sem pensar que um dia sonhará voltar a esse tempo.

E isso tudo em apenas quinze ou catorze anos,
Não quero saber o que será de mim daqui a trinta,
Não façamos conjecturas,
Que seja o que será.
Não faço ideia de quem será minha esposa,
Se as garotas que amei há três anos já me esqueceram,
(Como pode perder-se tanto em três anos?)
Quem amar-me-á em trinta?
Quem ainda conhecerei em trinta?

E pobre de mim, pobre de mim.
Não do eu presente, pois este é o que menos merece pena.
Nem do eu de três anos atrás, pois mereceu seu destino.
Talvez o eu de quinze até mereça um pouco de dó, deem-lhe isto ao menos.
Mas pobre do eu de daqui a trinta anos, pobre dele,
Pobre dele que olhará para tudo isto em seu passado,
Pobre dele que terá vergonha do que farei amanhã,
Pobre dele que chorará pelo Luquinhas,
Pelo menos ele rirá do eu de três anos atrás,
Mas pobre dele por ter de ler esse poema
E pensar que foi escrito por ele mesmo.
Acima de tudo, pobre dele,
Pobre dele que virou adulto.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Coma.

Ficas tão linda assim,
De olhos cerrados,
E serenidade divina.

Teu cabelo caído de lado,
Tua boca carmesim,
E o rosto ebúrneo.

Tenho saudades de ti,
Mas não posso negar que, assim,
Pareces até uma obra de arte.

Queria ouvir tua voz,
Queria poder beijar-te
E sentir teu calor.

Acorda, querida,
Ah, minha bela adormecida,
Mas o meu beijo não te acordará.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Olhares trocados em um trem.

Olhares trocados em um trem,
Melhores que qualquer sentimento real.
Aqueles olhares que fizeram-me ganhar o dia,

Os olhares que nem sei se foram trocados,
Talvez os tenhamos trocado por acidente,
Ainda assim, sonhei com sorrisos seus,
Com tudo que poderia acontecer,
E foi bem melhor que qualquer realidade.

Por que fui olhar logo para você?
Em meio a onze milhões, logo você,
Você com seu suéter azul,
Você que amanhã esqueço de tudo,
E cujo suéter talvez fosse vinho,
Mas por vinte minutos, você não era você,
Você era minha, em minha mente.

Olhares trocados, e nada mais,
E ainda há gente que beija as garotas,
Há rapazes que as namoram,
E, por mais absurdo que pareça, casam!
Qual a graça disso tudo?
Qual a graça de viver?

Fiquem com a história,
Atenho-me à poesia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vinte e quatro mil quinhentos e trinta dias.

Cada segundo a mais que vês do filme que passarás a adorar
É um segundo desconhecido a menos do teu agora filme favorito.
Nunca mais ouvirás aquela frase de efeito e sentirás a mesma tristeza,
Nunca mais aquele beijo repentino surpreender-te-á.
E o final, esse será sempre igual,
Pouco importa se o querias pouco melhor,
Ela nunca o amará de verdade,
Ele nunca deixará de ser um tolo.

Do mesmo modo, cada palavra que lês do livro que encantar-te-á
É uma palavra a menos no rol das palavras que te emocionam,
Sempre que leres aquele verso, saberás o que o segue,
E nunca mais te empolgarás ao entender o jogo métrico com o sentido,
Pois já o conheces de cor.
E a virada no enredo nunca mais te pegará de surpresa

E cada beijo que te dou é um beijo a menos entre os que posso dar-te,
Cada sorriso que me sorris é um sorriso a menos nos que tirarei de ti.
Os segredos que me contas são a minha maior tristeza,
Pois nunca mais serão secretos, perderam sua pureza.
Até o dia em que partirás e tudo isso que era porvir tornar-se-á passado.

Assim é a vida, um constante fazer coisas que nunca mais poderão ser feitas,
Uma constante perda de pureza, de mistério, de surpresa,
Um olhar para trás e ver o que já foi presente e antes disso futuro,
Uma luta contra a passagem do tempo e suas implicações,
Desde a hora em que nascemos e tudo no mundo é futuro,
Quando o mero respirar é coisa nova
Até o dia da nossa morte, quando nada mais nos resta.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O dia antes de conhecer-te.

Recordo-me de como foi
O dia antes de conhecer-te,
Estava nublado
Ou ensolarado,
Acho que não lembro direito.

Nesse dia, acordei de mau humor,
Ou foi sorridente?
Não sei mais ao certo.

Se não me engano, ia estudar,
Ou era um sábado?
Talvez tenha saído com meus amigos,
Não faço a mínima ideia.

Mas tenho certeza de que usava aquela camiseta azul
Aquela que você adorou no momento que viu.
Se bem que talvez eu usasse uma blusa preta.
Se bem que isso pouco importa, para ser sincero.

Não fazia ideia de que a conheceria no dia seguinte,
E acordei da mesma maneira como sempre acordo.

O dia antes de conhecer-te
Foi como qualquer outro dia,
Assim como todos os seguintes.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Não escrevo para obter algum sucesso,
Ou viver disso a receber milhões.
Escrevo para dar longa vida à arte,
Escrevo apenas para não sofrer,
Projetando o sofrer no papel branco,
Retirando-o do meu peito preto.

Eu escrevo para só os críticos rirem,
Ao implorar para não me rotularem,
Quando bradar que não me enfiem fôrma
Ou uma forma como devo escrever.
Para o inferno com qualquer dessas formas,
Escrevo bem como bem entender.

Faço do poema uma maquiagem,
Onde posso esconder os meus segredos.
Sem esquecer de pintar minha vida.
Também tenho de embelezar as moças,
Eu escrevo para as garotas corarem,
Reconhecendo-se em todos meus versos.

Por último, não me esqueço dos moços,
Garotos que amam meninas sublimes
E a quem um dia fui igual, antes disso.
Antes de pensar arte salvadora,
Antes de odiar as formas e rótulos,
De perder-me pelas mesmas meninas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Ontem eu dormi com a janela aberta.
Apenas uma fresta, nada fora do comum.
Mesmo assim, a fresta trazia o mundo
Para onde ele não deveria estar
Enquanto eu dormia com a janela aberta.

Ontem eu dormi com a janela aberta.
Era realmente um jogo de azar,
Pois não sabia o que poderia vir,
Abri-me a tudo que há de bom e ruim
Ao dormir com a janela aberta.

Ontem eu dormi com a janela aberta.
Todo sussurro lá fora gritava no silêncio,
Qualquer faísca era de iluminar o quarto,
E um leve gemido era alguém a morrer,
Quando tentava dormir com a janela aberta.

Ontem eu dormi com a janela aberta.
Não me recordo do porquê,
Talvez quisesse sentir emoções,
Talvez esperasse por você,
Mas não dormirei mais com a janela aberta.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Littleton.

O olho que mantinha aberto para a realidade
Eu fechei.
Dei um adeus a tudo que me cerca
E parti.

Meu coração flanador parte em viagem,
Voa pela vida, e jamais pousa sobre o real.
Meu coração flana por todo o mundo,
Por todos os lugares,
Contanto que sejam irreais.

Meus sonhos são aqueles que ninguém sonha,
E os sonho acordado, apenas para diferenciar-me
Dos reais, essas pobres criaturas
Que sonham dormindo
E vivem acordados.
Mas essas regras não me apetecem,
Exijo sonhar acordado
E viver em meus sonhos, apenas isso.

O meu amor simplesmente não existe,
A garota dos meus sonhos fica por lá mesmo.
Isso mesmo, apaixonei-me por quem criei,

Meu tempo é um porvir,
E meu lar qualquer lugar,
Contanto que não aqui.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Amnésia.

Minha vida é feita de indas e vindas
A menina que eu tanto amei
Riu de mim quando eu disse que um dia
Iríamos esquecer um do outro.

A menina que mais me amou
Nunca me amou o suficiente,
Apenas amou-me o possível.

Os dias se passaram, ela esqueceu que
Um dia prometeu ficar comigo para sempre.

Minha menina deixou-me para trás,
A menina que eu sempre amei.
Restou dela só a saudade, e a espera
Infinita de que um dia voltará.

Lembro-me de suas promessas,
Instantaneamente uma lágrima cai,
A minha menina não vai mais voltar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Tara.

Meu bem, és tão maravilhosa,
Que por vezes custa-me acreditar
Que possas existir.

Tua boca, de escarlate amor,
Aquece-me toda a noite, e me cega para a possibilidade de
Que possas existir

Minha querida, és de todo perfeição,
Que continuo sem conseguir crer
Que possas existir.

Os teus olhos, azuis como o céu,
Tão lindos não me deixam admitir,
Que possas existir.

Minha cara, és tão adorável,
Que não consigo aceitar
Que possas existir.

Os teus cabelos, cachos de doçura,
Envolvem-me e tentam me enganar
Que possas existir.

Minha amada, és tão estonteante,
Que só me faz desacreditar
Que possas existir.

Mas o teu corpo, branco gelo,
Deixou-me febril, e vi o motivo
Porque existia.

É, meu amor, és sem defeito,
Tal como em meus sonhos, e eis que mostra
Porque jamais existiu.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Novamente, uma ovelha.

Dia desses andava por aí,
Como um personagem de romance,
Daqueles que saem sem compromisso,
Mas que, no fundo, sabem que algo os espera.

Não sou nada extraordinário,
E eu sei que já disse isso, mas é bom repetir.
Ainda assim, algo de extraordinário ocorreu,
Enquanto eu andava, encontrei uma ovelha.
Não me pergunte como encontrei uma ovelha
No meio de São Paulo,
Apenas encontrei.
Afinal de contas, isso é um poema,
Ignoremos as regras.

A ovelha perguntou-me aonde eu ia
– sim, era falante, além de paulistana –
Respondi-lhe como personagem de século XIX,
Com filosofias embutidas e tudo o mais,
Que não tinha direção.

A ovelha perguntou-me por que encontrava-me tão triste,
A ovelha era esperta demais.
Disse-lhe que era uma moça qualquer, apenas mais uma.
A ovelha respondeu que não nos entendia,
A ovelha me contou que jamais amara,
Que apenas beijara os carneiros
Porque aquela era a sua natureza,
Pois tinha de procriar, e nada mais.

A ovelha, tão humana quanto poderia ser,
Perguntou-me por que tínhamos esse costume,
Nós, humanos, e esse nosso costume de amar.
Estava prestes a argumentar com minha amiga ovelha,
Diria que eram nossos hormônios,
Ou talvez falaria que criaram esse conceito
Por diversos motivos.
Mas eu estava em um poema
E fiz questão de agir de acordo.
Respondi a ela que
"É apenas a minha natureza."

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Poema-signo.

Este poema virgem,
Mas não mais, nunca mais.
Este poeta, câncer,
Para sempre doença na vida.

Significante e significado,
Gêmeos na poesia,
Mas separados ao nascer
Na boca da menina qualquer.

O poema, puro signo,
Que é e não é.
O poeta, puro fracasso,
Que tenta fazer ser.

O poema, como um sino,
Toca para lá e para cá,
Som, imagem,
Badalada, dourado.

Ela, menina signo.
Significado, menina pura
E amante da poesia.
Significante, menina qualquer.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O dia em que você morreu.

É, meu bem, eu te amava.
Eu te amava tanto,
Mas tiveste de morrer.

Os policiais entraram em casa,
Depois seguiram para o quarto.
Eis que depararam-se com uma triste imagem:

Eu e você na cama,
Eu vivo
Você morta.
Eu vivo.
E, bem, acho que também havia amor.

O chefe da polícia interrogava-me.
"Foi na cozinha?
Foi com a faca?
Como a levou para a cama?"
Eis que respondi-lhe.
"A matei enquanto dormia."

Aquela frase não parecia nada de extraordinário,
Mas fez um estrago sem igual.
Eis que os policias não eram reais,
Eis que a matei em meus sonhos,
Eis que a faca não era real,
Eis que o amor não existia.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Do Sublime explícito (A bela Stéphanie).

Stéphanie, Stéphanie,
Eu não posso pensar em ti,
Mas é você, Stéphanie,
Que nasceu em mim,
Como uma epifania.

Stéphanie, Stéphanie,
Por que teve de partir?
E como fico, Stéphanie?
Se não sei falar para ti
Em língua que nunca aprendi.

Stéphanie, Stéphanie,
Não há mais bela época aqui,
Só tu, a bela Stéphanie.
Mas eu faria tudo pour vous,
Minha querida.

Stéphanie, Stéphanie,
Fica só o obrigado,
Um obrigado, Stéphanie,
Por me fazer sentir
Amor fora da poesia.

Stéphanie, Stéphanie,
Onde nosso amor foi cair?
Onde está, Stéphanie?
Só sei que te perdi,
E o amor, c'est fini.

terça-feira, 3 de julho de 2012

quando casar sara.
foi o que disseram,
é, um dia seu coração sara.

quando casar, sara,
infelizmente não será comigo
é, um dia o seu coração, sara, será de alguém.

quando casar sara?
bem, isso se casar.
é, se um dia meu coração encontrar par.

quando casar, sara,
não estarei lá para dizer adeus,
é, um dia eu calo-me para sempre.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Lembrei-me hoje de meus sonhos,
Eu queria casar com uma pintora.
Jamais entendi o porquê disso,
Era apenas algo que saía de mim,
Ou talvez nossas artes se completariam.

A segunda opção era uma bailarina.
Essa faz mais sentido,
Basta ver qualquer uma com um pouco de talento,
Justifica-se a minha escolha.
Quantos poemas eu lhe escreveria.

Mas hoje entendo que estava errado.
Tenho de casar-me com uma mulher sem graça,
Quem sabe até uma mulher de negócios,
Qualquer uma que não me encante é o suficiente.
Pois amar demais é a perdição,
Tenho de manter a compostura,
Nada fora dos moldes,
Nada fora das medidas.
Devo casar com uma mulher que não me inspire,
Para que dedique-me somente à vida acadêmica,
Sem perder tempo a divertir-me com ela,
Nem a lhe escrever poemas.
Uma mulher ordinária,
Nada de mais,
E só.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O meu poema.

Hoje não vou te escrever um poema.
Não, querida, quem escreve hoje é você.

Isso mesmo, hoje é você quem escreverá.
Pois bem, faça-me um poema como bem entender,
Não precisa de métrica,
Ou de rimas,
O ritmo pouco importa,
E as imagens podem ser vazias,
Isso se existirem.

Não preciso de referências a outros poetas,
Nem de envolvimento social.
Se eu quero que a forma e o sentido se unam?
Bem, isso seria o ideal, mas pouco importa.
Faça-me um poema ruim, se quiser,
Assim como são todos o que te escrevo.

Certo, agora está escrito o meu poema,
Agradeço, mas não era a verdadeira intenção.
Eu só queria que percebesse
O quanto realmente gosto de ti.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dodô.

Pobre daquele que é diferente,
Daquele que é estranho perto dos outros,
Que é malvisto por todos os homens,
Mas só queria ser deixado em paz.

Pobre do pássaro doido,
Que quando o homem encontra, mata.
Ele não teme o homem, vai ao seu encontro
E, desengonçadamente, serve como jantar.

Pobre do pássaro esquisito,
Que nem mesmo tem beleza,
Antes fosse um cisne, belo e altivo,
Os homens não o matariam com tanto prazer.

Pobre do pequeno dodô,
Se ao menos voasse como o albatroz
Ele seria bonito em seus domínios
Feito o príncipe das nuvens.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Retrato.

Olha só esse retrato, querida.
Olha só esse retrato que encontrei.
Vês nele tudo aquilo que fomos?
Vês nele o quão feliz eu estava?
É claro que não, é só um retrato.

Olha só esse retrato, meu bem.
Olha só esse retrato antigo.
Sabes o que eu pensava quando foi tirado?
Sabes o quanto eu te amava naquele dia?
É claro que não, é só um retrato.

Mas o retrato amarelou,
E o amor também.
Não que o amor seja o retrato,
Nem que o retrato seja "retrato",
E o tu é só você.
Chega de romantismos e coisas do tipo,
Chega de contos de fada.
Só falta dizer que escrevo com uma pena,
Ou até que a amo de verdade.
Haja ilusão, querida.

O retrato é só fotografia,
Fotografia na verdade é só foto,
Digital, ainda por cima,
Assim como nosso amor
Era meramente virtual e inexistente.

Olha só esse retrato, meu amor.
Olha só esse retrato de nós dois.
Se um dia serei feliz como era contigo?
Se eu realmente te amava?
É só um retrato.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Fósforo.

Um poema é um fósforo.
Basta um pequeno atrito,
Qualquer coisa que o toque,
Para acendê-lo no mundo.

Mas agora se apresse,
Pois o fósforo logo apaga
E tudo pode se perder.

A escolha é toda sua.
Uma vela para ter luz
Por ainda mais tempo?
Ou talvez um cigarro
Para se sentir bem e completo?
Ou quem sabe apenas deixá-lo queimar?

Bem, a escolha é só sua.
Luz, prazer ou nada,
É você que sabe,
Mas cá está o seu fósforo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Há vezes em que me pergunto,
Se há moças que um dia me amaram,
Se há moças que em mim pensam antes de dormir.

E nessas vezes eu penso,
Se, assim como faço com tantas,
Há moças que se apaixonam por mim ao simples olhar,
Se há poetisas que vão para casa e sobre mim escrevem.

E há outras tantas vezes nas quais também me pergunto,
Se alguma moça que por minha vida passou um dia me amou,
Ou se, ainda no porvir, haverá moça que me ame.

E todas essas reflexões e perguntas,
Não me levam nunca a lugar nenhum,
Se encontro resposta? Jamais.

Não, nunca,
Jamais.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Brincadeiras.

Tratas como uma brincadeira
Teu amor, meus medos.
Assim como trato minha poesia,
Sem afinco nem paixão nenhuma.

Tratas como uma brincadeira
Ao zombar de meus amores,
Ao zombar de minhas perdas,
Com sorrisos, com sadismos. 

Tratas como uma brincadeira,
Quando dizes, quando mentes.
Ah, prometes teu amor,
Uma triste brincadeira.

Essa brincadeira tão maldosa.
Dá-me falsas alegrias.
Faz sonhar que posso alegrar-me,
Faz sonhar que posso tê-la.

Chamas todos para uma brincadeira,
Teus amigos, todos são chamados
Mário, Carlos, não esqueces deles,
Todos outros são lembrados.

Mas na tua brincadeira,
Só esqueces um garoto,
Último a ser chamado,
Último a ser amado.

Fora só deixaste ele,
Fora só deixaste um menino.
Fora para sempre louco por ti,
Ah, mas deixas sempre um de fora.

Só eu.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Diagnóstico.

Dia desses sentia-me tão mal,
Sabia que não estava normal.
Não sabia que era que me afligia,
Eis que resolvi um médico consultar.

Raio-x, estetoscópio cá e acolá,
Tomografias, ressonâncias magnéticas,
Exames de sangue e a língua para fora.
"Diga ah."

"Então, doutor como é que estou?"
O doutor fez cara feia,
Boa coisa não era.
"Bem, Lucas, o problema é seu coração."

Foi aí que pensei em todos meus amores.
Em todas as vezes que eu cri que partira meu coração,
E nas vezes que escrevi versos sem paixão
Foi aí que quase bateu-me um desespero.

"Que é que tenho, doutor?
Meu coração pode parar?"
"Não é nada disso. É que só o que ele faz,
É o seu sangue bombear."

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Acidente.

Minha vida é feita de acidentes.
Erros, falhas e fracassos.

Se cheguei até aqui,
Foi apenas um acidente da vida.
Eu não merecia tanto,
Eu não mereço nada.

Não ganhei nada por mérito,
Todas as vitórias foram acidentes.

A moça que sorriu-me,
Foi apenas um acidente da vida.
Eu não merecia seu sorriso,
Eu não mereço nada.

Ela sorrira para alguém atrás de mim.
Todos meus amores foram apenas acidentes.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ideário novo.

Não sou eu quem vai salvar o mundo,
Já está suficientemente difícil salvar a mim mesmo.
Não me importa a economia,
Nem as políticas ou os problemas sociais.
Minha política é a do alheamento.

Também a arte mal me importa.
Podem dizer que o digo por ser mau artista,
E que escondo minha incompetência
Por trás de um falso desinteresse.
Mas pouco me importa,
Assim como o resto da vida que vivo.
E se eu escrevo estas frases ingênuas
É porque elas pedem para ser tossidas para fora do meu ser.

Não sou nada do que deveria ser.
Quando sinto-me bem para tomar a palavra
Não tenho o que falar.
E quando minha mente ferve com argumentos
É aí que acanho-me.
Sou um sol forte que não aquece,
Ou uma nuvem negra que teima em não chover.

Eu, falso poeta com falsas ideologias,
Que finge saber coisas que não conhece,
Apenas mentiras em lugar de pensamentos.

Eu, menino simples que fala a palavra amor.
Amor que não existe.
Amor é só isso.
Amor é só minha carência afetiva,
Um sorriso de uma moça graciosa,
E muitos poemas para a moça,
Que nunca saberá que eles existiram.
Amor é só isso.

Amor, eu posso apaixonar-me enquanto caminho.
Basta olhar para o lado e ver uma moça adorável,
Com sua camiseta branca e calça qualquer,
Seus óculos, que elegância.
E os seus cabelos, que eu acho a coisa mais estonteante,
Apesar de conhecê-la há dois minutos.
E deveria eu compará-la a um dia de verão?
Não, não deveria, de modo algum.
Deveria compará-la a um minuto de abril,
Deveria compará-la à minha carência afetiva,
Pois isto é o que ela é,
E isto é o que ela sempre será.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cuspam no amor,
Cuspam três vezes.
O amor é uma doença, amigos.
E esta doença ainda acabará com nossos jovens.

Não criem imagens idealizadas.
Apenas tenham atrações pelas moças,
E por fim casem-se com elas.
Pois é isto o natural.

Não sejam como estes jovens românticos.
Elas não se importam com seus versos,
Elas nunca amarão os poetas,
Elas dormem é com os homens reais.

Não é porque elas sorriram
Que elas os amam.
Elas sorriem para qualquer um,
Elas são educadas, eis a verdade.

Não caiam por elas,
Não lhe escrevam versos.
Cuspam no amor,
Cuspam três vezes.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Este é um poema de amor.
Todos os versos nele escritos não importam
Nem para a literatura
Nem para a sua musa.

Este é um poema de amor.
Um entre milhões
E todos eles são horríveis,
Patéticos e inconsequentes.

Este é um poema de amor.
Uma pergunta sem resposta,
Um grito que não ecoa,
Um filme sem espectador.

Este é um poema de amor.
Eu a amo.
Ela não me ama.
Assim é um poema de amor.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Casamento.

Já me apaixonei por mais de uma centena de moças,
Isso se contarmos os amores instantâneos, é claro,
E por alguns poucos moços também, mas isso pouco importa.
Pois o que eu quero exprimir neste poema
É o meu pesar em perceber que casarei com uma mulher tediosa.
Apesar de todas as musas que encontrei em ruas e avenidas,
Apesar de todos os sonhos que construí em minha cama,
Apesar de tudo que eu poderia ter sido, serei nada.

Tantos amores jogados no lixo,
E os sonhos, onde ponho?
Que fim trágico para um garoto que tanto tentou ser algo mais.
Sim, casarei com uma mulher que não amarei,
Casarei com uma loira, apesar de preferir morenas,
Casarei com uma mulher que não gostará de poesia,
Casarei com uma mulher que muito possivelmente me amará,
E isso é o que mais me assusta.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Arrisco-me a dizer que existam milhões
De pessoas atraentes em todo o mundo,
E vou além, arrisco-me a crer nisso.

Pois bem, com tantas pessoas por quem poderias te apaixonar
Por que haveria de ser logo ela?
Eu te juro, amigo, existem outras centenas que o aceitariam como és.
Logo tu, que sempre foste tão racional, tão lógico,
Te rendeste ao amor?
Não, não te jogues nesta ruína.

Pensa comigo,
Amá-la só trará dores a ti,
Pensar nela acabará com toda a tua atenção.
Não há motivos para amá-la, eu te digo.
Cá entre nós, há muitas moças melhores,
E algumas destas poderão amar-te de volta, eu juro.

Tens certeza?
Bem, se é isso que queres,
Abrir mão de uma vida feliz,
De alguém que te ame de volta,
E querer esquecer os milhões de pessoas
Apenas por causa de uma.
Bem, eu o entendo, e honestamente,
Isso faz perfeito sentido.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Uma piada.

O amor é uma piada, meu bem.
Uma piada de mau gosto, deve-se destacar.
Se eu acho graça?
Claro que não.

Mas como toda piada maldosa
Há quem ria do amor,
Há os sádicos como tu,
Que se aproveitam dos ingênuos
E os fazem de tolos.

O amor é uma piada.
E que piada mal contada, querida.
Mas, ainda assim,
Não consegues parar de rir.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Pouco importa a poesia, convenhamos.
Rimas, métrica, sincretismo e pentâmetros
Pouco importam também.
Mandemos as figuras de linguagem para o inferno de uma vez por todas.
Esse poema não tem noção de forma, mas é o melhor que já escrevi
Pois ele há-de dizer o que quero dizer agora e só,
Sem pretensões ou coisas do tipo.
Se eu quero dizer que amo a moça da camisa roxa,
Eu amo a moça da camisa roxa.
Se eu quero fazer críticas à sociedade
Que eu as faça, que eu as faça de uma só vez.
Mas eu ainda amo a moça da camisa roxa.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A invenção do amor.

Sorriu-me mais do que deveria, querida,
Agora o estrago já está feito.
Não me venha com desculpas
Ou com falsas verdades.
Você sabe que não devia ter feito isto,
E agora estou aqui, a escrever-te teu poema inaugural.

Ninguém jamais saberá o quão bonita é essa sensação,
Cair em amores tendo perfeita consciência
De que tudo dará errado, de que sofrerei novamente.
Não, ninguém faz ideia de como isso é bom.

Pouco importa, honestamente.
Tanto ninguém saber quanto a certeza da decepção,
Pois não é saber que terei meu coração partido
Que me impede de parti-lo.

Mas a culpa é toda minha, admitamos.
Não é porque me sorriu,
Não é porque é tão linda,
Não é por nenhuma intervenção divina.
É porque eu nasci para isso,
Mentir, criar e dissimular.
Eu nasci para abusar de clichês,
Eu nasci para dizer-te que te amo
Sem amar-te completamente.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sim, eu te culpo por tudo de errado que eu fiz,
E tu também sabes que a culpa cai sobre teu colo.
Pois se não tivesses traspassado minha vida como um punhal
Nada disso teria acontecido.

É bem verdade que eu ofendi teu namorado quando o vi,
Mas não é ele que eu odeio.
Odeio bem mais tu e eu,
Ao menos o eu que eu era há cinco anos.
Pois não foi esse teu namorado que te roubou de mim,
Fui eu quem te deixou partir sem oferecer resistência.

De qualquer jeito, amo-te,
Mas não te empolga, querida.
Pois amo-te Capitu de Matacavalos,
E não Capitu da praia da Glória.
Amo-te inocência,
E não perversidade.
Amo-te passado,
E não presente.
Amo-te menina que nunca foi minha,
E não esta que é de outros.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Autobiografia ou qualquer coisa equivalente.

Eu não nasci para ser herói,
Eu não nasci para nada grande.
Eu nasci para a miserabilidade,
Nasci para qualquer coisa,
Contanto que seja pouca.

Criei um império melancólico,
Mas império esse de castelos de areia
Ou qualquer coisa cliché.
Como os sonhos que tive, que foram diversos.
Mas esses sonhos foram devorados
E hoje alguém os digere.

Não, nunca tive ninguém,
Nem ninguém me teve,
Muito embora eu me oferecesse.
Pois até mesmo meu único caso de amor,
Foi um caso sem amor.
Ela sabia que a forma certa de amar
Era não termos de tocar um ao outro.
Ela entendia que a ausência
Apenas fortalecia a nossa relação.
Até o momento em que alguém lhe mostrou
O que realmente era amor,
E agora ela está lá fora,
Vivendo, amando, sentindo.
Sem mim, é claro.

Hoje nem sei o que sou,
Sei que não sou nada que valha,
Pois isso é tudo que sei.
Não sou herói, não sou amado,
Disseram uma vez que eu era gênio,
Mas só haveriam de estar brincando.
Até porque eu jamais quis ser gênio
E não sei onde eu teria errado
Para que eu pudesse ser um.

Acredito ser poeta, e só.
Apesar da ânsia comum por se etiquetar,
Poeta e só poeta.
Sem mim as pessoas vivem,
Mas preferimos não tentar.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Vômito.

Não é a náusea, querida,
Que convence alguém do teu asco,
E sim a tua reação, tua repulsa,
Então não digas que estás prestes a vomitar,
Mostre que estás prestes a vomitar.

Do mesmo jeito que o só dizer que me amas
Não me convencerá desse amor.
Tens de mostrar o amor, batalhar por esse amor,
Fazer todas as demonstrações públicas de afeto,
E se for preciso, vomitá-lo sobre mim.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O poeta que escreveu sobre amor.

O poeta que escreveu sobre amor
Não se eternizou, não foi o maior de todos.
Pois todos pensam ser os maiores
Aqueles que cantaram heróis,
Ou aqueles que abriram mentes,
Ou mesmo os que escreveram com perfeição.

Mas o poeta que escreveu sobre amor
Foi o maior dos poetas,
Ao menos em sua própria opinião.

Pois o poeta que escreveu sobre amor
Mesmo que o único herói que ele tenha eternizado
Tenha sido ele mesmo,
Ou que tenha escrito coisas que não foram visionárias,
Ou mesmo que seus poemas desconheçam a métrica.
Escreveu o que mais deveria ser lido.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Querida, tenho de te contar a verdade:
Eu possuía potencial para ter sido tantas coisas
Mas não quero, não tenho a mínima vontade.

Eu sei, pensas que fracassei,
Não é verdade, eu apenas desisti,
Fracassar e desistir são coisas nada iguais.

Sou um niilista em potencial, meu bem.
Sou igualmente um suicida em potencial.
Mas nada disso me satisfaz, por isso sou nada.

Certa vez disseram-me que escrevo belos poemas,
Não creio nisso, não, nem um pouco,
Mas para não correr o risco, é por isso que pouco escrevo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ressaca.

Eu sei, prometi que jamais beberia,
Mas por vezes eu deveria pensar duas vezes.

Pois se eu bebesse, meu bem,
Eu não teria sido tão malvisto.
Se eu bebesse eu teria tido iniciativa,
Se eu bebesse eu não teria medo,
Se eu bebesse não seria só o álcool que eu beberia,
Mas também o teu amor.

Sim, querida, como eu me embriagaria,
Como eu me perderia em ti,
Apesar de todas as promessas
De sobriedade mútua
E de todo o desprezo alcoólico.

Mas não bebi,
Nem bebo,
E nem pretendo beber.

Mas não te possuí,
Nem te tenho agora,
E acho que jamais a terei.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Olha, querida,
O amor nada mais é
Que uma simples piscina.

Fora dele sinto-me tão mal,
Penso precisar disso
E logo mergulho.
Está gelado, está ruim.

O amor é uma piscina,
Divertimo-nos tanto,
Mas, por mais que nos protejamos,
Quando saímos sofremos
Com queimaduras na pele
E cortes no coração.

E as moças de biquíni,
Não são menos cruéis,
Que as moças das ruas.

Todos são tão alegres na piscina.
Eu mergulho,
Ninguém me segura,
Afogo-me, finalmente.

Eu não quero mergulhar.
Não, eu não sei nadar,
Dê-me uma bóia, está tudo bem,
Tão bem como ser só teu amigo.
E meu corpo arde,
Queimei-me por tua causa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não temos finais felizes,
Tampouco infelizes.
Todos os finais são iguais,
Todos os finais são nada.

Lembra daquela menina
Por quem você se apaixonou na sétima série?
Ela morrerá, como todos nós.
Não ela menina inocente da sétima série,
Pois essa já está sepultada
E só vive em seu coração.
Mas sim ela a moça hoje quase adulta,
Que terá um filho em alguns anos,
Mas o garoto que sairá daquele útero não é seu garoto,
E pouco importa, ele também morrerá
Assim como você e eu.

Aquela artista que adoro também morrerá,
As palavras dela também morrerão.
É possível que ela morra antes das palavras,
Ou que elas morram antes dela.
Ao menos as palavras foram lindas
Enquanto viveram.

Pois é isso que devemos fazer:
Temos de ser lindos enquanto vivermos,
Temos de marcar a vida destrutível vida daqueles por quem passamos.
Somos navios em alto mar, meu amigo,
E tudo que sonhamos é sermos adoráveis para as pessoas no porto.
Chamemos a atenção das moças que acenam,
Mas jamais aportemos, jamais.
Elas não podem saber que somos barcos de pequeno porte,
Que logo afundaremos, como tudo na vida.

Nós nascemos para morrer,
E temos de fingir que com isso não nos importamos.
Mas não se esqueça da menina da sétima série enquanto vivermos.