Dia desses andava por aí,
Como um personagem de romance,
Daqueles que saem sem compromisso,
Mas que, no fundo, sabem que algo os espera.
Não sou nada extraordinário,
E eu sei que já disse isso, mas é bom repetir.
Ainda assim, algo de extraordinário ocorreu,
Enquanto eu andava, encontrei uma ovelha.
Não me pergunte como encontrei uma ovelha
No meio de São Paulo,
Apenas encontrei.
Afinal de contas, isso é um poema,
Ignoremos as regras.
A ovelha perguntou-me aonde eu ia
– sim, era falante, além de paulistana –
Respondi-lhe como personagem de século XIX,
Com filosofias embutidas e tudo o mais,
Que não tinha direção.
A ovelha perguntou-me por que encontrava-me tão triste,
A ovelha era esperta demais.
Disse-lhe que era uma moça qualquer, apenas mais uma.
A ovelha respondeu que não nos entendia,
A ovelha me contou que jamais amara,
Que apenas beijara os carneiros
Porque aquela era a sua natureza,
Pois tinha de procriar, e nada mais.
A ovelha, tão humana quanto poderia ser,
Perguntou-me por que tínhamos esse costume,
Nós, humanos, e esse nosso costume de amar.
Estava prestes a argumentar com minha amiga ovelha,
Diria que eram nossos hormônios,
Ou talvez falaria que criaram esse conceito
Por diversos motivos.
Mas eu estava em um poema
E fiz questão de agir de acordo.
Respondi a ela que
"É apenas a minha natureza."
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