quinta-feira, 25 de novembro de 2010

(ir)Racional

Antes de conhecê-la, eu era um homem da razão
Não tinha sentimentos, não ouvia o coração
Para mim o amor era causado por hormônios
Impulsos nervosos controlavam minhas emoções.

Já ela, ela era delicada como uma flor
Mesmo sem entender nada de angiospermas.
Quando apaixonei-me, tentei entender
Mas ela mostrou-me que eu estava errado
"Não existe cosseno da paixão, seu bocó."
Pronto, nesse verso dodecassílabo me tirou a razão.

Quando eu dizia que nosso coração tem dois átrios e dois ventrículos
Dizia: "Que nada, é isso aqui."
E apontava para um desenho que fazia no chão
Com um L e um M dentro de um infantil desenho de um coração.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Carta de amor

Nunca recebi uma carta de amor
Não me lembro se já ouvi um "te amo" sincero.
Nunca senti-me amado de verdade.

Nunca enviei uma carta de amor
Já as escrevi, mas nunca tive coragem de lhe enviar.
Às vezes não sei se tenho algo aqui dentro.

Nunca amaste alguém, eu bem sei
Não mostras amor a ninguém
Suas paixões são vazias, nós sabemos.

Nunca senti amor verdadeiro
Não acredito que amor verdadeiro é amor derradeiro
Mas nada disso me faz falta.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O culto

De que me valem belas palavras
Se minha vida não é igual?
De que adianta conhecer teorias
Se minha alegria é irreal?

Posso até ser culto
Mas não cultivo o amor
Meu sorriso, esse teima em viver oculto.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sheena

Ela usa coisas das quais nunca ouvi falar
Ela namora garotas e garotos
Ela vai a festas que não servem guaraná
Ela não se importa com sentimentos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Felicidade

Eu nunca busquei a felicidade
Não, eu nunca quis ser feliz
Eu não prezo pela felicidade
Não, eu não quero ser feliz.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Entrega

Entregue isso a uma garota
A com pele de porcelana
E graciosa como borboleta.

É o seu coração
Ele não me pertence mais.
Mas não peça o meu de volta
Porque ele eu não posso mais ter não.

Diga a ela que eu me entrego
Que meu coração é dela e de mais ninguém
Que pessoa nenhuma comparar-se-á a ela
E que de todas ela é a mais bela.

Entrego-me então à solidão
Sofrerei então sozinho
Mesmo em meio à multidão.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Espelho

Eu vejo um garoto triste
Miserável, pra ser sincero
Mesmo que ele não seja amigo da sinceridade.

Coitado, acredita que ela pode voltar.
Ingênuo, acredita que pode ser feliz.
Completo tolo, acredita na humanidade.

Acredita em final feliz
Adora filmes infanto-juvenis.
E torce para que sua vida tenha um final igual.

Sorri e esconde os sofrimentos
Engana a todos, cala os lamentos.
Mas eu e ele sabemos que, no fundo, ainda dói.

Ele então tenta se esconder
E eu vejo alguns cortes abertos em seu corpo,
Mas mesmo assim, não são tão profundos quanto os do coração.

O vejo se afogando em lágrimas
Então dele eu tenho tanto dó.
Coitado do garoto do espelho.