quinta-feira, 30 de junho de 2011

O corte.

Já me cortei muitas vezes,
Já sangrei muitas vezes, Medusa.
Mas contigo foi tudo diferente,
A maneira como me cortaste,
A maneira como me tocaste.

Infelizmente, como tudo,
Tiveste de partir.
Partiu-me em dois,
Com um só corte acabaste comigo.

Não fui o suficiente, Medusa?
Nosso sangue não é mais o mesmo, eu sei.
Gritas o nome dele mais alto que o meu?
Escreveste com o sangue, Medusa, éramos um.
Ele é tudo que sempre quiseste que eu fosse?
Eu só queria saber, do fundo de meu cortado coração,
Não fui o suficiente, Medusa?

Agora esse corte, embora curto,
Sangrará para sempre em mim, Medusa.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O sangue.

Meu corpo aberto
Por uma navalha que me deste.
Meu coração aberto
Ao teu amor, a tudo que quiseres.

Meu sangue escorria
Eu, biologicamente, morria.
Meu sangue escorria
Eu, emocionalmente, nascia.

Meu sangue não mais corre
Escorre somente, escorre para fora de mim.
Escorre com ele a dor, o sofrimento
Passado sem ti, Medusa.

Meu corpo mutilado.
Finalmente sinto-me vivo.
Meu sangue por ti derramado.
Arde, mas é a menor dor que posso ter sentido.

Meu amor, nosso sangue,
Sangue de dois, vertendo do que será cicatriz.
Meu sangue, nosso amor,
Com o qual uma vida inteira escrevi e fiz.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O grito.

Eu te disse que te amo.
Olhaste-me com uma certa admiração.
Talvez do amor,
Talvez de como o disse.

Escrevi-te um poema de amor.
Figuras de linguagem e rimas perfeitas.
Quando o viste, deste um sorriso.
Apenas um sorriso.
Eu vi que não te havia convencido.

Compus uma canção em teu louvor.
Bela melodia, doces palavras.
Achaste-a bonita, mas algo faltava.

"Algo falta, meu amor
Talvez vontade, um certo fervor."

Ao último verso da música, senti.
Eu te amo, Medusa.
Gritei, te amei.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O batismo.

Pedi-te que deixasses-me entrar em tua vida.
Deixasses que eu fosse parte de ti.
"Passarás pelo batismo, querido."

Entregaste-me uma navalha
E fizeste um só pedido
"Marca em ti a inicial do teu amor."

Primeiro corte.
Doeu, mas era por ti que o fazia.

Segundo corte.
Sangrou, com esse sangue nosso amor nascia.

Terceiro corte.
Abri, teu nome em mim.

Quarto corte.
Sangrou, e o sangue era agora todo teu.

Tua inicial em mim.
Eu aberto a ti.

Medusa, para sempre minha.
Para sempre serei teu, Medusa.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Quadra mudada.

Mudarei, cansei de minha vida.
Haverá de ser no mínimo divertido.
Mudarei, adeus realidade querida.
No mínimo só mais um coração partido.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Algo cómico aconteceu-me há minutos.
Eu estava sentado a essa mesma mesa,
Lia um livro e pensava.
Quando perguntei-me se havia tomado água
Parte de mim jurava que sim, a outra que não.
Esquecera-me de algo que havia feito - ou não - há cinco minutos.

O cómico é que de ti não esqueço
Daquele dia, há três anos atrás, não esqueço.
Do vestido que usavas,
Da piada que fizeram-me quando de relance mirei tuas pernas.
De como pediste para que não fosse embora.
"Não, não te vás."

O trágico é que de ti não esqueço.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Doze de junho.

Passou então mais um doze de junho.
Vi sorrisos por toda a parte.

Entristeci-me, apesar de todas as alegrias.
Não porque era mais um dos dezassete anos que passava sozinho.
Mas porque era o quarto que passava sem ti.
Queria poder dar-te presentes
Dizer o quanto te amo.
Queria que amasse-me de volta.
Mas não, passou o dia com um outro.

Vivi-o na completa solidão.
Passou assim mais um doze de junho.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Meu amor.

Ela é o meu amor.
Eu sei que ela também me ama.

Ela é o meu Sol
Ela guia-me todos os dias.

Ela é alegria em dias tristes
Ela ilumina sempre minha vida.

Ela é o meu maior amor.
Ela é o meu mais sincero amor.

Ela é tudo.
Ela é simplesmente tudo.

Ela é o que basta-me para ser feliz.
Ela é quem me faz sorrir quando em lágrimas.

Ela é o que me resta do que realmente sou.
Ela é quem mostra-me quando estou errado.

Ela é uma menina jovem.
Ela consegue ainda assim ser mais madura que muitos.

Ela é a menina mais doce do mundo.
Ela é tudo que todos deveriam ser.

Ela é meu mar de calmaria.
Ela é quem põe as coisas em seu lugar.

Ela é meu amor, eis tudo.
Ela é e sempre será a minha querida.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O dia da minha morte.

Não sei quando será.
Não sei porque ocorrerá.
Sei como será.

Será calmo, eu bem sei.
Haverá apenas silêncio.
Será o dia mais tranquilo de minha vida, ou morte.

Pode vir logo
Ou demorar quase um centenário.
Mas de um ou de outro jeito, estarei preparado.

Peço que nele não chorem
Sorriam, lembrem do que fui.
Apenas lembrem de mim.

Se sentirem saudades
Leiam meus poemas
Neles encontrar-me-ão quando quiserem.

Então esperemos por ele.
O dia da minha morte.
Será um dia normal.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sobre uma garota.

Ela era linda.
Eu a amava.
Ela disse-me o mesmo
Ela mentiu.

Ela ficou ao meu lado.
Ela disse que eu era o único.
Ela prometeu nunca partir.
Ela mentiu.

Ela era tudo que eu queria.
Ela ainda é tudo que eu quero.
Ela é tudo que eu sempre quis.
Ela mentiu.