quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Preto, cinza e branco.

Somos todos perdedores até que se prove o contrário,
Eis a verdade,
A única verdade.

Acordei hoje com a vontade de não ter vontades,
Feito Campos, queria ser qualquer pessoa,
Menos eu.
Acordei com vontade de não ser.
Acordei com a vontade de não viver.

A vida nada mais vale,
Evidente, há quem viva,
Mas tornou-se passatempo.
"Nada tenho para fazer,
Bem, acho que vou viver."

E nesse não querer nada,
Fui fazer tudo.
Acordar, sorrir e fingir.
Há-de se estudar,
Há-de se trabalhar.

Mas em meio a esse cinza dia,
Vi vida, uma vida tão linda.
Era uma moça tão assim, sorriso.
E ela, naquele sapatilho amarelo,
Batia o pezinho na batida do meu coração.

Ela sorria, ela era luz
Cor e vida.
Ela era amor em meio ao cinza.
E minha vida tão cinza nada perto dela.

Eu bem que podia ter dito a ela o que pensava,
Que era a mais formosa de todas moças,
Que a cada minuto que se ia,
Mais eu me apaixonava.

Eu bem que podia deixar de ser um fracasso?
Talvez não, alguns estão fadados a isso.
Eu sou um perdedor,
E comprovo isso todo dia.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Poema adulto.

Poesia? Não me vale de nada.
Não mexe nas cotações,
E nem sobe as minhas ações.
Poesia? Coisa de criança,
De adolescente apaixonado.

Poesia? Acho até bonito,
Mas tenho muito mais o que fazer:
Três filhos, roupa pra passar,
Janta pra fazer. E depois ainda trabalho.
Não tenho tempo pra pensar nessas coisas

Poesia? Coisa de mulherzinha.
Só serve no máximo pra elas gostarem da gente.
Essas riminhas e frases bonitinhas
Não vão fazer meu time jogar bem,
Nem vão pagar minhas contas.

Poesia? É a minha vida.
É decerto a coisa mais bela que há.
A poesia, a tão amável poesia.
É para ela que sempre vivi,
Para ela que vivo e viverei.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vozes.

Eu ouço vozes.
Elas gritam, elas cantam,
Elas recitam-me versos,
Poemas sem começo,
Poemas sem fim.

Eu ouço vozes.
Quiçá eu apenas esteja louco,
Quiçá seja apenas essa dor de cabeça.
Posso estar apenas doente, uma doença sem fim,
Ou talvez eu seja a doença.

Eu ouço vozes.
Elas querem que eu diga essas palavras.
Elas podem ser de pessoas que se foram,
E que nunca tiveram a chance de dizê-las,
Que tiveram um triste fim, sem ninguém para ouvi-las.

Eu ouço vozes.
Tristes vozes.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Conselhos para a juventude.

Há-de amar,
É a única coisa que aprendi nesse tempo.

Mas há-de se pensar,
Por que amas?
Quem amas?

Há-de amar a si,
Pois se não o fizermos, quem o fará?

Mas há-de maneirar,
Devemos nos aceitar e admirar,
Sem nos acharmos o centro do universo.

Há-de amar alguém,
Um alguém especial, uma referência.

Mas há-de se conter.
Se amarmos tão intensamente
Só um erro do amor e a decepção toma seu lugar.

Há-de amar o mundo,
Amá-lo sempre, e contemplá-lo feliz.

E há-de amá-lo tanto,
Amá-lo irrestritamente, a vida é linda,
Olhar o céu, sorrir, viver e amar.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Perdição.

Eu perdi.
Sei que já disse outras vezes,
Mas dessa vez foi definitivo.

Eu perdi e me rendo.
Lembra-se daquele garoto sonhador?
Lembra-se do garoto que acreditava?
Ele perdeu.
Ele está longe daqui.

Ele se rendeu.
Sabe que não haverá outra vez.
E dessa vez está acabado.

Ele se rendeu e se orgulha.
Por finalmente ver que não pertence,
Por descobrir que ele é só mais um.
Eu me rendo.
Eu estou triste aqui.

Eu me orgulho.
Sei que não tenho futuro.
Mas dessa vez não quero mais.

Eu me orgulho e me desespero.
Cai então essa lágrima em meu peito,
Cai esse sangue de meu corpo.
Nós nos desesperamos.
Nós estamos tão sós assim.

Nós nos desesperamos
Sabemos que é tudo passado,
E dessa vez não daremos certo.

Nós nos desesperamos e nos amamos.
Choramos tanto um pelo outro,
Choramos tanto pelo que não volta.
Eu amei.
Eu estou tão perdido aqui.

Eu amei,
Sei que foi por algo bom.
Mas dessa vez não vou me encontrar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sanduíches.

Outrora estava eu a comer um sanduíche.
Era delicioso,
Que queijo,
Que presunto,
E que salada.
Era um sanduíche óptimo, mas algo que lhe faltava.

Preparei depois eu mesmo um sanduíche.
Era mal feito,
O queijo quase caía,
O presunto não se sentia,
E a salada era insossa.
Mas como estava delicioso aquele meu sanduíche.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Esperança.

Ele espera todos os dias por uma mudança,
"Hoje eu a reencontro, hoje ela volta."
Tem esperança, sonha sempre,
Mas a realidade não lhe sorri jamais.

Olha para trás e pensa,
"Talvez..."
Mas ela não vem,
Não dessa vez.

Hoje algo pousou-lhe no ombro,
Ele sorriu, seria sua mão?
Mas quando virou, verificou,
Era apenas uma cigarra.