Somos todos perdedores até que se prove o contrário,
Eis a verdade,
A única verdade.
Acordei hoje com a vontade de não ter vontades,
Feito Campos, queria ser qualquer pessoa,
Menos eu.
Acordei com vontade de não ser.
Acordei com a vontade de não viver.
A vida nada mais vale,
Evidente, há quem viva,
Mas tornou-se passatempo.
"Nada tenho para fazer,
Bem, acho que vou viver."
E nesse não querer nada,
Fui fazer tudo.
Acordar, sorrir e fingir.
Há-de se estudar,
Há-de se trabalhar.
Mas em meio a esse cinza dia,
Vi vida, uma vida tão linda.
Era uma moça tão assim, sorriso.
E ela, naquele sapatilho amarelo,
Batia o pezinho na batida do meu coração.
Ela sorria, ela era luz
Cor e vida.
Ela era amor em meio ao cinza.
E minha vida tão cinza nada perto dela.
Eu bem que podia ter dito a ela o que pensava,
Que era a mais formosa de todas moças,
Que a cada minuto que se ia,
Mais eu me apaixonava.
Eu bem que podia deixar de ser um fracasso?
Talvez não, alguns estão fadados a isso.
Eu sou um perdedor,
E comprovo isso todo dia.