terça-feira, 31 de maio de 2011

Rimas pobres e métrica inexistente.

Foi há um ano, nesse mesmo dia,
Que eu resolvi ser alguém
Começaria a escrever poesia
Fosse para o mal, fosse para o bem.

Um ano de musas e amores
De desastres e de dores.
Ano afrodisíaco esse que passou.
Aquela flor nesse ano o seu cheiro em mim deixou.

Um ano de muita dança
Sem jamais perder a esperança.
Um ano também cheio de sabedoria
Cultuada com uma bailarina e muita filosofia.

Um ano de rimas pobres e de métrica inexistente
Será que isso deixar-me-á contente?
Um ano de poesia de segunda mão.
Voltarei a ser o mesmo? Juro que não.

Pouco importa se foi bom ou se foi ruim,
Foi poesia.
Espero que isso jamais tenha um fim
Isso que começou há um ano, nesse mesmo dia.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Poema para a poetisa.

Devo admitir, és única.
É a primeira vez que faço isso.
Um poema a uma poetisa,
Um poema a ti, tão eu,
Poética e musical.

Não preciso admitir que és linda,
Tal qualidade é consensual.
Quem te vê já o sabe.
Teu sorriso, obliquamente perfeito,
Tua voz, tão docemente jovial.

Devo admitir, é irónico.
Escrever a quem escreve tão bem,
Não necessitas de minhas palavras,
És autossuficiente em tais termos.
És poética como nunca serei.

Não preciso admitir, te amo.
Já sabes disso, minha cara.
Quem me vê já sabe.
Meu sorriso, diferente quando te vejo.
Meus poemas, tão incrivelmente teus.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Reverso.

Conheces a história da bailarina, eu bem sei.
Daquela que enamorou-se por um cosmonauta.

Pois bem, eu jurava que éramos assim,
Eu o teu cosmonauta, minha cara.
Mas nosso amor não é normal,
Nosso amor não segue
Regras comuns a todos.

Nosso amor é reverso, querida.
Querida, reversos sempre somos.

És minha cosmonauta.
E eu, embora não dance,
Contigo consigo arriscar-me.
Sou teu bailarino, mas apenas teu.
E és minha cosmonauta, sempre será.

Aquele que enamorou-se por uma cosmonauta
Conheces a história do bailarino, eu bem sei.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O poeta não tem vida,
É impossível conciliar vida social com a arte.
Assim sendo, não se vive com intensidade.

O poeta usa a vida,
A poesia é apenas transcrição de acontecimentos
Tragédias são dádivas nas mãos do verdadeiro poeta.

O poeta não ama,
Cria amores somente. O amor poético há-de ser irreal.
Não há beleza verdadeira no concreto, a arte é a ilusão.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Carta à Bailarina.

Convidaram-me hoje a dançar, querida.
Tendia a recusar, visto que não era contigo,
Insistiram, recusei mais uma vez, só sei dançar com você, bailarina.
Mas acabei indo bailar, por algum motivo que não me é claro.

Dancei, e dancei mal.
É claro que não sou nenhum Fred Astaire,
Mas dancei muitíssimo mal, querida.
Não foi como quando estou contigo.

Só agora entendo o motivo de meu desastre dançante
O par, há-de ser o par.
Eu só sei dançar junto de ti, bailarina.
Eu só sei dançar com amor.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Vitória.

A infância é uma completa vitória.
A infância é a vitória da alegria sobre a tristeza,
A vitória do sonho sobre o fracasso.
Embora quando infantes erremos demasiadamente.
A infância é a vitória dos sorrisos sobre os choros,
Mesmo que por vezes choremos mais que sorrimos,
Ainda assim o sorriso é mais forte.
A infância é a vitória da verdade sobre a mentira,
Verdade essa que por vezes dói,
Verdade que dói menos que a mentira descoberta.
A infância é simplesmente uma vitória.
A infância é a vitória da vida.
Daquela vida que amaríamos reviver.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Hoje fiz-te uma brincadeira tola,
Parvoíce de apaixonado.
Sorriste, mas não riste.
Foi um sorriso tímido, tão desanimado.
Sequer mostraste teus lindos dentes.
Teus pensamentos escondiam-se também atrás de tua escarlate boca.

Jogaste os áureos cabelos para trás
E novamente deste-me o infame sorriso.
Não me contaste o porquê, mas eu sei.
Era um sorriso piedoso,
Uma quase-lástima,
Sorriso de quem diz:

"Pobrezinho de ti...
Apaixonar-se por mim."

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Não sou legal.
Não sou divertido.
Sou certinho.
Tiro boas notas.
Não bebo.
Me apaixono.
Não sigo tendências.
Gosto de ler.
Não fumo.
Não parto corações.
Gosto de estudar.
Não faço idiotices.
Escrevo poesia.
Não sou pegador.
Sou educado.
Sou verdadeiro.
Não sou feliz.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um dia sem sentimentalismos.

Um dia sem sentimentalismos
Parece-me tão ideal.
Eu juro, ainda conseguirei ter
Um dia sem sentimentalismos.

Um dia sem sentimentalismos
Será calmo, não lembrarei de ti.
Eu sonho todos os dias com
Um dia sem sentimentalismos.

Um dia sem sentimentalismos
Eu poderia viver comigo mesmo
A literatura, a música e eu, juntos em
Um dia sem sentimentalismos.

Um dia sem sentimentalismos
Seria um dia incompleto
Seria finalmente um dia feliz
Um dia sem sentimentalismos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ovelhas não se beijam.

Ovelhas não se beijam.
Faz completo sentido,
Beijos não são nada de mais.
Apenas o toque de lábios,
Por vezes com movimentos linguais
Juntos de trocas de saliva e actos de sucção.

Sequer vi um urso a escrever sonetos
Um urso que tentasse conquistar assim a amada.
Nesse caso o urso parece mais civilizado que eu.
Ele não sabe que cá está apenas pelo ciclo natural
- nascer, crescer, procriar e morrer -
Mas mesmo assim, o segue com maior disciplina.

Já vi humanos que se beijam
E já escrevi eu mesmo sonetos de amor.
Mas não sei ao certo se estamos com a razão.
De que nos vale amar?
O amor não é nada de mais.
O amor é criação de nossas mentes.

Ovelhas não se beijam.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Filosofia.

Somos um só.
Eu e tu, sabedoria,
Nascemos um para o outro.
Somos um só, Sofia.

Sou um filósofo, no puro sentido
Amo-te, Sofia, toda tua erudição.
És meu contraste, minha amiga.
És a seriedade, sou a paixão.

Tentei viver com a filosofia
Mas falhei, não sirvo para isso.
Ao tentar te denunciar a ti mesma
Acabei descobrindo-me.

Se eu sou sol, és lua,
Se sou luz, és escuridão.
Sou a outra metade tua
Somos um só, uma só canção.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Espresso.

Eu sempre fui chá
Tinha asco por cafés.
Eu jurei pra mim mesmo
"Nunca gostarei de espresso."

Mas um dia tive de tomá-lo
Ou era espresso ou a sede.
Dei a princípio um pequenino gole,
Não era a pior coisa do mundo, nem a melhor,
Para aturar tive de adoçá-lo bastante.

Noutro dia lá estava o espresso
Resolvi tomá-lo de novo
Algo nele me cativara, eu bem sei.
Fazia-me vivo, tirava-me o enfado.
Bebi-o, dessa vez sem tanto açúcar,
Ao gosto já havia me habituado
O espresso não era mais por mim odiado.

Dias depois fui à mesa onde ele ficava.
O chá estava de volta
Mas peguei o espresso,
Preferi o espresso.
Mesmo tendo feito aquela promessa:
"Nunca gostarei de espresso."

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Rondó dançante.

Minha cara bailarina
És tudo que sempre quis.
Sê para sempre minha menina
Faze-me eternamente feliz.

Eu queria saber dançar
Mas não tenho tua graça e caprichos.
Meus pés não sabem para onde andar
Perco por completo meus sentidos.

Vem, vem e me guia
Em teus braços eu bailo.
Vem, minha querida tão esguia
Por tua postura, no chão eu caio.

Ah, estes teus pés, cheios de esmero
Partem meu coração em dois.
Bailarina, és tudo que quero,
Eu juro, por ti deixo tudo para depois.