terça-feira, 31 de julho de 2012

Amnésia.

Minha vida é feita de indas e vindas
A menina que eu tanto amei
Riu de mim quando eu disse que um dia
Iríamos esquecer um do outro.

A menina que mais me amou
Nunca me amou o suficiente,
Apenas amou-me o possível.

Os dias se passaram, ela esqueceu que
Um dia prometeu ficar comigo para sempre.

Minha menina deixou-me para trás,
A menina que eu sempre amei.
Restou dela só a saudade, e a espera
Infinita de que um dia voltará.

Lembro-me de suas promessas,
Instantaneamente uma lágrima cai,
A minha menina não vai mais voltar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Tara.

Meu bem, és tão maravilhosa,
Que por vezes custa-me acreditar
Que possas existir.

Tua boca, de escarlate amor,
Aquece-me toda a noite, e me cega para a possibilidade de
Que possas existir

Minha querida, és de todo perfeição,
Que continuo sem conseguir crer
Que possas existir.

Os teus olhos, azuis como o céu,
Tão lindos não me deixam admitir,
Que possas existir.

Minha cara, és tão adorável,
Que não consigo aceitar
Que possas existir.

Os teus cabelos, cachos de doçura,
Envolvem-me e tentam me enganar
Que possas existir.

Minha amada, és tão estonteante,
Que só me faz desacreditar
Que possas existir.

Mas o teu corpo, branco gelo,
Deixou-me febril, e vi o motivo
Porque existia.

É, meu amor, és sem defeito,
Tal como em meus sonhos, e eis que mostra
Porque jamais existiu.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Novamente, uma ovelha.

Dia desses andava por aí,
Como um personagem de romance,
Daqueles que saem sem compromisso,
Mas que, no fundo, sabem que algo os espera.

Não sou nada extraordinário,
E eu sei que já disse isso, mas é bom repetir.
Ainda assim, algo de extraordinário ocorreu,
Enquanto eu andava, encontrei uma ovelha.
Não me pergunte como encontrei uma ovelha
No meio de São Paulo,
Apenas encontrei.
Afinal de contas, isso é um poema,
Ignoremos as regras.

A ovelha perguntou-me aonde eu ia
– sim, era falante, além de paulistana –
Respondi-lhe como personagem de século XIX,
Com filosofias embutidas e tudo o mais,
Que não tinha direção.

A ovelha perguntou-me por que encontrava-me tão triste,
A ovelha era esperta demais.
Disse-lhe que era uma moça qualquer, apenas mais uma.
A ovelha respondeu que não nos entendia,
A ovelha me contou que jamais amara,
Que apenas beijara os carneiros
Porque aquela era a sua natureza,
Pois tinha de procriar, e nada mais.

A ovelha, tão humana quanto poderia ser,
Perguntou-me por que tínhamos esse costume,
Nós, humanos, e esse nosso costume de amar.
Estava prestes a argumentar com minha amiga ovelha,
Diria que eram nossos hormônios,
Ou talvez falaria que criaram esse conceito
Por diversos motivos.
Mas eu estava em um poema
E fiz questão de agir de acordo.
Respondi a ela que
"É apenas a minha natureza."

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Poema-signo.

Este poema virgem,
Mas não mais, nunca mais.
Este poeta, câncer,
Para sempre doença na vida.

Significante e significado,
Gêmeos na poesia,
Mas separados ao nascer
Na boca da menina qualquer.

O poema, puro signo,
Que é e não é.
O poeta, puro fracasso,
Que tenta fazer ser.

O poema, como um sino,
Toca para lá e para cá,
Som, imagem,
Badalada, dourado.

Ela, menina signo.
Significado, menina pura
E amante da poesia.
Significante, menina qualquer.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O dia em que você morreu.

É, meu bem, eu te amava.
Eu te amava tanto,
Mas tiveste de morrer.

Os policiais entraram em casa,
Depois seguiram para o quarto.
Eis que depararam-se com uma triste imagem:

Eu e você na cama,
Eu vivo
Você morta.
Eu vivo.
E, bem, acho que também havia amor.

O chefe da polícia interrogava-me.
"Foi na cozinha?
Foi com a faca?
Como a levou para a cama?"
Eis que respondi-lhe.
"A matei enquanto dormia."

Aquela frase não parecia nada de extraordinário,
Mas fez um estrago sem igual.
Eis que os policias não eram reais,
Eis que a matei em meus sonhos,
Eis que a faca não era real,
Eis que o amor não existia.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Do Sublime explícito (A bela Stéphanie).

Stéphanie, Stéphanie,
Eu não posso pensar em ti,
Mas é você, Stéphanie,
Que nasceu em mim,
Como uma epifania.

Stéphanie, Stéphanie,
Por que teve de partir?
E como fico, Stéphanie?
Se não sei falar para ti
Em língua que nunca aprendi.

Stéphanie, Stéphanie,
Não há mais bela época aqui,
Só tu, a bela Stéphanie.
Mas eu faria tudo pour vous,
Minha querida.

Stéphanie, Stéphanie,
Fica só o obrigado,
Um obrigado, Stéphanie,
Por me fazer sentir
Amor fora da poesia.

Stéphanie, Stéphanie,
Onde nosso amor foi cair?
Onde está, Stéphanie?
Só sei que te perdi,
E o amor, c'est fini.

terça-feira, 3 de julho de 2012

quando casar sara.
foi o que disseram,
é, um dia seu coração sara.

quando casar, sara,
infelizmente não será comigo
é, um dia o seu coração, sara, será de alguém.

quando casar sara?
bem, isso se casar.
é, se um dia meu coração encontrar par.

quando casar, sara,
não estarei lá para dizer adeus,
é, um dia eu calo-me para sempre.