quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ontem eu dormi com a realidade.
Troquei tu por você,
Acordei de mau humor.

As moças que sorriam nas paulistanas ruas
Eram apenas mulheres ordinárias
Que não sorriam.

Os cavalheiros gentis no bonde
Não passavam de homens brutos
Que empurravam todos no trem.

Os poemas recitados pelos jovens
 Não existiam, simples assim,
Realidade e poesia não convivem, amigos.

As conversas amigáveis na praça
Desmascaravam-se em discussões,
Xingamentos sem nenhuma razão.

O amor... bem, o amor
Não é coisa que se deva esperar nesse universo,
Ao menos não na realidade em que vivemos.

A adorável garota e seus olhos verde-mar
Não eram nada de mais,
Apenas duas coisas a mais em meu dia, nem tudo precisa fazer de motivo divino.
Os olhos encontraram os meus, é bem verdade,
Mas foi um acidente, como todo o resto,
Ela nunca mais olhou para mim.

Dormi com a realidade, querida,
Aconchegou-me, tocou-me, foi tão bom.
E não sinto mais saudade de você.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sobre aeroportos.

Que nos resta agora?
Mudamos tanto,
Perdemos tanto,
Ganhamos tanto,
Esquecemos tanto.
No caminho
Até esse aeroporto-vida.

O que temos em comum?
Além do que vemos
Ao olhar para trás.
Vós não sois mais
Aqueles que conheci.
Eu não sou mais,
Aquele que conhecestes.

Aonde vamos?
Alto, bem alto,
Acrediteis em mim.
Esses aviões não têm destino
Que não a glória, meus amigos.
Nossos dias estão contados,
Não contemos mais com isso.

Que nos resta dizer?
Sayonara, pelas memórias,
Auf wiedersehen, pelas risadas,
Arrivederci, pela sabedoria,
Adiós, pela amizade,
Goodbye, pelas canções,
Adeus, pelo amor.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Li todos os poemas,
Ouvi todas as canções.
Mas não há no mundo
Amor como esse, querida.

Não porque sejamos especiais,
Não que nosso amor seja maior,
Mas nenhum poeta era eu, meu bem,
Nem mesmo escreviam para ti.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Tudo que vem de fora é melhor.

Tudo que vem de fora é melhor.
Como haveria de não ser?
Céus, eu sou o inferno,
E tudo que vem de mim é lixo.
As emoções vividas por outros
São as únicas que valem.
As minhas ideias são vazias como cestos,
Os meus sonhos descartáveis,
Nada que venha de mim possui valor.
Não sou nada, nada mesmo,
E ainda assim tento ser tanto.