quarta-feira, 25 de abril de 2012

Diagnóstico.

Dia desses sentia-me tão mal,
Sabia que não estava normal.
Não sabia que era que me afligia,
Eis que resolvi um médico consultar.

Raio-x, estetoscópio cá e acolá,
Tomografias, ressonâncias magnéticas,
Exames de sangue e a língua para fora.
"Diga ah."

"Então, doutor como é que estou?"
O doutor fez cara feia,
Boa coisa não era.
"Bem, Lucas, o problema é seu coração."

Foi aí que pensei em todos meus amores.
Em todas as vezes que eu cri que partira meu coração,
E nas vezes que escrevi versos sem paixão
Foi aí que quase bateu-me um desespero.

"Que é que tenho, doutor?
Meu coração pode parar?"
"Não é nada disso. É que só o que ele faz,
É o seu sangue bombear."

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Acidente.

Minha vida é feita de acidentes.
Erros, falhas e fracassos.

Se cheguei até aqui,
Foi apenas um acidente da vida.
Eu não merecia tanto,
Eu não mereço nada.

Não ganhei nada por mérito,
Todas as vitórias foram acidentes.

A moça que sorriu-me,
Foi apenas um acidente da vida.
Eu não merecia seu sorriso,
Eu não mereço nada.

Ela sorrira para alguém atrás de mim.
Todos meus amores foram apenas acidentes.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ideário novo.

Não sou eu quem vai salvar o mundo,
Já está suficientemente difícil salvar a mim mesmo.
Não me importa a economia,
Nem as políticas ou os problemas sociais.
Minha política é a do alheamento.

Também a arte mal me importa.
Podem dizer que o digo por ser mau artista,
E que escondo minha incompetência
Por trás de um falso desinteresse.
Mas pouco me importa,
Assim como o resto da vida que vivo.
E se eu escrevo estas frases ingênuas
É porque elas pedem para ser tossidas para fora do meu ser.

Não sou nada do que deveria ser.
Quando sinto-me bem para tomar a palavra
Não tenho o que falar.
E quando minha mente ferve com argumentos
É aí que acanho-me.
Sou um sol forte que não aquece,
Ou uma nuvem negra que teima em não chover.

Eu, falso poeta com falsas ideologias,
Que finge saber coisas que não conhece,
Apenas mentiras em lugar de pensamentos.

Eu, menino simples que fala a palavra amor.
Amor que não existe.
Amor é só isso.
Amor é só minha carência afetiva,
Um sorriso de uma moça graciosa,
E muitos poemas para a moça,
Que nunca saberá que eles existiram.
Amor é só isso.

Amor, eu posso apaixonar-me enquanto caminho.
Basta olhar para o lado e ver uma moça adorável,
Com sua camiseta branca e calça qualquer,
Seus óculos, que elegância.
E os seus cabelos, que eu acho a coisa mais estonteante,
Apesar de conhecê-la há dois minutos.
E deveria eu compará-la a um dia de verão?
Não, não deveria, de modo algum.
Deveria compará-la a um minuto de abril,
Deveria compará-la à minha carência afetiva,
Pois isto é o que ela é,
E isto é o que ela sempre será.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cuspam no amor,
Cuspam três vezes.
O amor é uma doença, amigos.
E esta doença ainda acabará com nossos jovens.

Não criem imagens idealizadas.
Apenas tenham atrações pelas moças,
E por fim casem-se com elas.
Pois é isto o natural.

Não sejam como estes jovens românticos.
Elas não se importam com seus versos,
Elas nunca amarão os poetas,
Elas dormem é com os homens reais.

Não é porque elas sorriram
Que elas os amam.
Elas sorriem para qualquer um,
Elas são educadas, eis a verdade.

Não caiam por elas,
Não lhe escrevam versos.
Cuspam no amor,
Cuspam três vezes.