sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ortolândia.

Pássaros cantores de jazz,
A branca paz reinante nos sorrisos mais brancos que a pele.
Still life.

Os carros brilhantes,
Os telefones brilhantes,
E as mentes.

Casamentos são jantares que se iniciam pela sobremesa,
Disse a minha amiga.
Escorreguei no piso mais liso que margarina
E o medo era tudo no mundo.

Um dia todos serão bondosos,
Nesse dia eu estarei morto.

domingo, 20 de outubro de 2013

A Visita.

Bateram à porta.
"Quem é?"
"Sou eu", uma voz de menina.
Porta aberta, se não é Marina.
"Que" não grata "surpresa."
"Então, como anda a vida?" e já fui esquecida?
"Bem, ando bem" apesar das memórias que contigo vêm "e você?"
"Tudo bem também, finalmente encontrei alguém" melhor que você.
- Nada faz sentido com Marina. -
"Ah, eu também" mas eu, evidentemente, a comparo
[todos os dias a tudo que você foi, poderia ter sido,
[era, é, será, significou, significa e significará pra mim, mas ela é legal.
"É bom te ver bem assim" e tirar tudo do lugar, você não se esquece de mim.
"É bom te ver também, mas tem algum motivo a visita?" e fica um pouco mais?
"Não, nada não," não se empolga 
"só tava na região e o João me disse que você ainda morava aqui."
"Ah", poeta longe dela, ahs, ohs e ahams, na sua frente.
"Então, a gente se vê por aí" talvez dentro de outros sete ou oito anos
"É, se cuida" porque pedir pra cuidar de mim não dá mais.

Marina sempre Marina.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Remendo.

falha
engano equívoco
des continuidades
fratura-fissura-trinca-fenda-racha

irregularidade

insucesso
imperfeição
erro
oposto de êxito (nem mesmo sei a palavra)
hesitação
medo
fiasco
nada
insucesso
malogro
derrota.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Santa Cidade.

Cidade tão maravilhosa.
Tão Santa.

Teu decrépito aspecto
Faz com que meu amor seja mais belo.
Obrigado, Santa Cidade.

Teu repulsivo aroma
Faz com que o perfume dela seja ainda mais agradável.
Obrigado, Santa Cidade.

Teu aviltoso trânsito
Atrasa-me mas aumenta minha alegria em vê-la.
Obrigado, Santa Cidade.

Mas hoje eu morri,
Combustão instantânea, coisa tão rara,
Parei uma linha de trens,
Senti-me tão importante.
Meu amor podia até sentir minha falta,
Mas tem outros milhões para preencherem-na.
O mundo poderia até sentir minha falta,
Mas amanhã outro trem para,
Uma família é assassinada,
Um desmoronamento mata tantos.
Obrigado, Santa Cidade.

sábado, 24 de agosto de 2013

Le château de Versailles et le métro de São Paulo.

Le métro de São Paulo est plus beau que le château de Versailles.
Le château de Versailles est visité par six millions de personnes chaque année,
Le métro de São Paulo est visité par quatre millions de personnes chaque jour.
Pauvre château de Versailles.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

2am

2 in the mourning
of all they lost.
this bed isn't fond of caressing anymore,
these pillows don't kiss me like they used to,
this duvet won't hug you ever again.
under the sheets, no love.

he asked her:
do you think we'll be in love forever?
she said yes,
she is used to fail.

domingo, 30 de junho de 2013

Outro chá das cinco.

À mesa
O garfo não sorri como antes,
As xícaras não se olham como se olhavam,
O bule não é pego como costumava,
A faca não desliza na manteiga daquele jeito de outrora.
"Passa o amor."

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Notícias.

Acorda, levanta
Pega o café e o jornal


Lá fora talvez de vestido florido
Há uma mulher que o ama.
Onde é que esse mundo vai parar

terça-feira, 7 de maio de 2013

Ladainha dos de bom coração.

Estamos perdidos.
Não há salvação,
P'ra quem crê no amor.
Vem, canta comigo:
Somos miseráveis!
Somos miseráveis!

Pobre do senhor
Que tanto trabalha,
Porém, nada ganha.
Ri apenas domingo.
Ele comemora:
Eu sou miserável!
Eu sou miserável!

Pobres das crianças
Não vão mais brincar,
As ruas, desertas,
Deixaram de amá-las.
Cantam sua cantiga:
Somos miseráveis!
Somos miseráveis!

Pobre marinheiro
Teve a nau virada,
Ó, maldito polvo
Por que o afogaste?
Ele balbucia:
Eu sou miserável!
Eu sou miserável!

Pobres dos artistas
Tão ruins que temos
Não sabem rimar
Não sabem pintar.
Agora cantam mal:
Somos miseráveis!
Somos miseráveis!

Pobre do cadáver,
Era um bom amigo
Foi o que me disseram.
Todo morto é santo.
Agora ele reza:
Eu sou miserável!
Eu sou miserável!

Pobre do casal
Do amor impossível,
E que sonha que
Derruba a distância.
Sós, eles dois cantam:
Somos miseráveis!
Somos miseráveis!

Pobre do Fernando.
Tentou ser herói
De conto de farsas
Ferido p'ra sempre.
Canta enfeitiçado:
Eu sou miserável!
Eu sou miserável!

Júlia, pobrezinha
Buscou uma cara,
Virou só mais uma,
E se perdeu toda:
Canta como os outros:
Eu sou miserável!
Eu sou miserável!

Pobre Mariana,
Ela apaixonou-se
E isso é o que basta,
Pior coisa inexiste.
Agora ela canta:
Eu sou miserável!
Eu sou miserável!

E pobres de nós,
É o nosso destino
Abraço a miséria
Além de trazer
Um bom coração.
Somos miseráveis!
Somos miseráveis!

terça-feira, 30 de abril de 2013

The Strings.

A wise girl once said
That, someday, all the strings inside of us will break.
I must say, my dear, that the same will happen to you and me.

Take a look at what I am right now,
It's happening for a while,
Every single day another string breaks,
Until we got here.

Only one string stands in one piece,
But it must be known:
It is not just a string,
She's a rope.
My rope is strong,
My rope is all I've got,
My rope is what takes me further.

She is everything to me.
And I'm all hers,
She holds me like a puppet,
She takes me wherever she wants,
Holding me by the strings.
She plays me just like a violin,
I'm not that good,
But when she plays my strings
Nothing but good could come out of it.

So I hold on to this rope,
And I swing to the sound of strings,
Hoping that one day our strings will be one knot.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Knives Only. (About our love)


Sometimes I think that I may be
Kind of in love with you.
I know, we haven’t even met, but I think I really do.
Note, still, that this may not make much sense as a
Novel in Sky.
Yeah, I told you it doesn’t make sense.

Love doesn’t make sense at all, actually.
Only know that, in the end, putting all this
Variety of things in place, and reading it in the right way,
Everything will make sense.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Te olhar.

Ao menos uma vez todos os dias
Dou uma volta em torno de meu próprio eixo
(Soa como loucura, eu bem sei.)
Postura ereta e trezentos e sessenta graus
De olhos abertos e sem tanta velocidade.
Tu também deverias fazer isso, querida.
Talvez uma vez nossos olhares se cruzam.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

(Este poema não se interessa por discussões religiosas,
Se há um deus ou não, pouco importa,
Se iremos para o céu ou inferno, menos ainda).

Mas, se houver coisa tal,
O amor não foi criado por Deus,
Pois o amor é tudo que se põe nas histórias
Como digno do inferno.
Sim, ele é lindo,
Sim, é a melhor coisa que já provei,
Mas, amigos, isso é justamente o que é posto
Como ato do Demônio,
Sim, lindo, tentador, atraente,
Mas, no fundo, apenas dor,
Sofrimento e angústia.

E não há no mundo
Coisa melhor que o amor.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

É carnaval, mas os foliões põem-se agora a dormir.
Sim, já é tarde para se falar de carnaval,
A alegria e os sonhos foram queimados,
E as cinzas de todos confetes e máscaras
Encontram-se agora no chão.

Mas tudo bem, sempre preferi o fim,
Sempre me foram mais adoráveis as consequências,
E não as causas daquelas.
Sempre preferi observar a fazer.

Sim, é carnaval e este já está a terminar,
Sim, o querido carnaval,
O carnaval de tantas alegrias,
Tantos amores e beijos,
Mas não, não hei de criticá-lo,
Tampouco louvá-lo.
Sim, o querido carnaval.

Não preciso criticá-lo ou louvá-lo,
Apenas pô-lo como realmente é.
O carnaval é apenas o que queríamos ser,
Máscaras, fantasias e alegria,
Não, o carnaval é o que somos,
Sim, o carnaval é o que somos.
Alegria, sonhos, amores,
Até o momento do fim,
O momento da morte.
O momento em que somos
Suvenires para os outros,
Meras cinzas dos sonhos,
Lembranças do que fomos.

Mas lembre-se:
O carnaval-nós,
Hora ou outra,
Acaba.

sábado, 12 de janeiro de 2013

To Miss Wade.


To miss Wade
Is not easy, is not great
And even if you all knew to to persuade
Me, I wouldn't want to take
More time without Wade.

To Miss Wade
So many poems I made
I know, someday they might fade,
But as long as she reads them, it's great.

To miss Wade
Is something that I'd rather evade,
Because not even for someone that I hate
I'd wish such fate.

To miss Wade
Is a pain I just can't take,
I need someone to aid
All these wounds that time made,
But, for Wade,
I will wait, I will wait,
And I'd wait for a decade,
To be with Miss Wade.

But I just can't miss Wade,
I can't, Miss Wade,
Perhaps I'll have to wade
Until I get to where you are, Miss Wade.