É carnaval, mas os foliões põem-se agora a dormir.
Sim, já é tarde para se falar de carnaval,
A alegria e os sonhos foram queimados,
E as cinzas de todos confetes e máscaras
Encontram-se agora no chão.
Mas tudo bem, sempre preferi o fim,
Sempre me foram mais adoráveis as consequências,
E não as causas daquelas.
Sempre preferi observar a fazer.
Sim, é carnaval e este já está a terminar,
Sim, o querido carnaval,
O carnaval de tantas alegrias,
Tantos amores e beijos,
Mas não, não hei de criticá-lo,
Tampouco louvá-lo.
Sim, o querido carnaval.
Não preciso criticá-lo ou louvá-lo,
Apenas pô-lo como realmente é.
O carnaval é apenas o que queríamos ser,
Máscaras, fantasias e alegria,
Não, o carnaval é o que somos,
Sim, o carnaval é o que somos.
Alegria, sonhos, amores,
Até o momento do fim,
O momento da morte.
O momento em que somos
Suvenires para os outros,
Meras cinzas dos sonhos,
Lembranças do que fomos.
Mas lembre-se:
O carnaval-nós,
Hora ou outra,
Acaba.