Lembrei-me hoje de meus sonhos,
Eu queria casar com uma pintora.
Jamais entendi o porquê disso,
Era apenas algo que saía de mim,
Ou talvez nossas artes se completariam.
A segunda opção era uma bailarina.
Essa faz mais sentido,
Basta ver qualquer uma com um pouco de talento,
Justifica-se a minha escolha.
Quantos poemas eu lhe escreveria.
Mas hoje entendo que estava errado.
Tenho de casar-me com uma mulher sem graça,
Quem sabe até uma mulher de negócios,
Qualquer uma que não me encante é o suficiente.
Pois amar demais é a perdição,
Tenho de manter a compostura,
Nada fora dos moldes,
Nada fora das medidas.
Devo casar com uma mulher que não me inspire,
Para que dedique-me somente à vida acadêmica,
Sem perder tempo a divertir-me com ela,
Nem a lhe escrever poemas.
Uma mulher ordinária,
Nada de mais,
E só.