quinta-feira, 28 de junho de 2012

Lembrei-me hoje de meus sonhos,
Eu queria casar com uma pintora.
Jamais entendi o porquê disso,
Era apenas algo que saía de mim,
Ou talvez nossas artes se completariam.

A segunda opção era uma bailarina.
Essa faz mais sentido,
Basta ver qualquer uma com um pouco de talento,
Justifica-se a minha escolha.
Quantos poemas eu lhe escreveria.

Mas hoje entendo que estava errado.
Tenho de casar-me com uma mulher sem graça,
Quem sabe até uma mulher de negócios,
Qualquer uma que não me encante é o suficiente.
Pois amar demais é a perdição,
Tenho de manter a compostura,
Nada fora dos moldes,
Nada fora das medidas.
Devo casar com uma mulher que não me inspire,
Para que dedique-me somente à vida acadêmica,
Sem perder tempo a divertir-me com ela,
Nem a lhe escrever poemas.
Uma mulher ordinária,
Nada de mais,
E só.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O meu poema.

Hoje não vou te escrever um poema.
Não, querida, quem escreve hoje é você.

Isso mesmo, hoje é você quem escreverá.
Pois bem, faça-me um poema como bem entender,
Não precisa de métrica,
Ou de rimas,
O ritmo pouco importa,
E as imagens podem ser vazias,
Isso se existirem.

Não preciso de referências a outros poetas,
Nem de envolvimento social.
Se eu quero que a forma e o sentido se unam?
Bem, isso seria o ideal, mas pouco importa.
Faça-me um poema ruim, se quiser,
Assim como são todos o que te escrevo.

Certo, agora está escrito o meu poema,
Agradeço, mas não era a verdadeira intenção.
Eu só queria que percebesse
O quanto realmente gosto de ti.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dodô.

Pobre daquele que é diferente,
Daquele que é estranho perto dos outros,
Que é malvisto por todos os homens,
Mas só queria ser deixado em paz.

Pobre do pássaro doido,
Que quando o homem encontra, mata.
Ele não teme o homem, vai ao seu encontro
E, desengonçadamente, serve como jantar.

Pobre do pássaro esquisito,
Que nem mesmo tem beleza,
Antes fosse um cisne, belo e altivo,
Os homens não o matariam com tanto prazer.

Pobre do pequeno dodô,
Se ao menos voasse como o albatroz
Ele seria bonito em seus domínios
Feito o príncipe das nuvens.