terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O dia em que eu aprendi a desistir.

Tinha de tudo para ser um dia comum,
Lágrimas, desespero, amor e mais amor.
Mas incrivelmente não o foi,
Tive a decepção amorosa diária, sempre a tenho,
Mas em lugar das lágrimas e do desespero eu me conformei.
Não me amas, entendo.
Não me amas, adeus.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

coração sara.

eu sei que já disse isso,
mas destruíste meu coração, querida.
agora não sei se ele sara,
meu coração sara?

seu coração, sara,
que muito podia ser meu,
ele sara.
mas seu coração está bem,
é o meu coração que não, sara.
e o meu coração que não sara.

não vou te dar
esse coração nunca mais, sara,
pois eu sei que
esse coração nunca mais sara.

sara, coração.
sara, por favor.
sara, me dá a alegria de volta,
coração, sara,
sara, coração.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tenho saudades das meninas com quem não conversei.
De todos os sorrisos que não foram para mim,
Dos seus olhares que acidentalmente encontraram o meu,
De todos os sentimentos que elas não tiveram por mim.

Tenho dó de mim
Ao pensar que todas as moças por quem me apaixonei
Poderiam ter me amado de volta,
Se eu ao menos tivesse mostrado esse amor.
Ou se eu não fosse um completo tolo.

Tenho dó de mim
Por não ter passado mais tempo a admirá-la,
Por não ter quebrado as regras e ficado lá por mais alguns minutos,
Por ter tido medo de falar contigo,
Por não ter te amado completamente.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O amor, os livros.

Certamente dirão que estou errado,
Ou que amar demais não leva a nenhum lugar.
De certo modo, eu mesmo concordo,
De fato, exagero no amor,
E todos escritores que leio me dizem o mesmo.

Todos os filósofos franceses acham-me tão tolo.
Todos eles mostram-me que eu não deveria sentir isto,
Que és uma ilusão, que jamais seremos um par.

E os psicanalistas, que veem-me tão solitário,
Que sabem que tenho carência afetiva,
Que contam ao mundo que crio amores
Apenas porque ninguém jamais retribuiu todo o amor que eu quis dar.

Mas todos os poetas russos
Não fazem ideia do que falam.
Pois nenhum poeta russo
Jamais te viu com aquela tua purpúrea blusa.

Bem, para o inferno com todos estes sábios.
Nenhum grande escritor jamais sentiu um amor como esse,
Nenhuma pessoa do mundo o fez.
E não digo isso crendo ser especial,
Digo crendo apenas ser eu.

E nenhum romance do século XIX substituirá teu calor,
Nenhuma musa grega olha-me da maneira que me olhaste,
E nenhuma sabedoria preencherá esse vazio.

Não quero ser bem sucedido,
Não quero ter belos poemas.

Se eu apenas tivesse teu corpo junto ao meu uma só vez,
Minhas mãos nas tuas lascivas ancas.
E esse teu lado que era só meu.
Mesmo que eu não fosse nada para ti.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vidro.

Tenho de contar, bons amigos,
Essa triste história de um garoto.
Bom moço, mas feito de vidro.

Tinha um coração cristalino,
Assim como ele era por inteiro.
Ó, pobrezinho do vítreo menino.

O garoto de vidro estava apaixonado,
Estava tão perdidamente em amores
Que quando a via ficava apenas líquido.

Ainda assim a garota não o via,
Tentou ser laminado, temperado,
Encheu-se de corantes, mas não servia.

Ainda assim o garoto sofria,
Tentava viver sem ela,
Mas ao vê-la sempre se destruía.

Por fim ele partiu.
Ele nunca mais poderá vê-la,
Ela nunca o viu.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Mulher.

Outrora perguntaram-me
"Por que temos tão poucas poetisas?"
E eu então ia respondendo
Que não sei ao certo,
Mas que deve ter relação com o facto
De que as mulheres não tinham voz,
Que apenas viviam dentro de casa,
E que o pensar era apenas para os homens.

Mais tarde fui escrever um poema
E tive uma luz.
Não temos tantas poetisas
Por um simples facto:
O homem não presta, meu Deus,

Não temos poetisas
Pois elas não tem motivo de escrever.
Por que escreveriam para um homem bruto,
Para um homem que faz apenas ser troglodita?
Pois até mesmo os mais sentimentais
E os mais poéticos dos homens
Não deixam de ser homem.
E o homem não presta.

Por outro lado, o homem tem motivo para escrever,
O homem tem a mulher, e isso basta.
Por que não escreveria sobre aqueles cabelos
Ondulantes feito galhos e folhas ao vento?
Por que não escreveria sobre aqueles lábios
Rubros feito a rosa mais vermelha do bosque mais florido?
Por que não escreveria sobre aqueles olhos
Verdes como os jardins onde nos deitáramos?
E esse teu corpo, corpo tão delicado,
Cuja beleza eu jamais poderia profanar.

O homem escreve para ter coisas belas.
O homem cria a poesia.

A mulher não precisa escrever, é por si só belíssima.
A mulher é a poesia.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Princesa.

Ó, minha desastrada princesa.
Não hei mais de escrever-te belas frases.
Eu ia dedicar uma epopeia à sua beleza,
Mas de que adiantaria?

Ó, minha sorridente princesa.
É esse teu sorriso, querida,
É esse teu sorriso com certeza,
Que leva-me a esse céu tão infernal.

Ó, minha doce princesa.
Se lesses meus poemas,
Sentirias essa chama acesa,
Ou não acreditarias em todo esse fervor?

Ó, tão não minha princesa.
Quem dera ser eu quem alegra-te tanto,
Ser teu amor, tua defesa.
Ou no mínimo, falar-te tudo isso.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O futuro.

Eu não quero ser alguém para a sociedade,
Não mesmo, muito obrigado.
Eu dispenso o ser alguém notável,
O fazer alguma grande contribuição à vida.

Eu queria apenas ser alguém para ela,
Apenas isso.
Queria ser tudo para ela.

Eu não quero viver até os noventa anos,
Morrer e ser chorado por todos,
E, depois disso tudo, ser lembrado por séculos.

A mim seria formidável morrer aos vinte e três,
Desde que vivesse estes últimos cinco anos ao lado dela.

Não preciso tornar-me um grande homem,
Para o inferno com o Sr. Doutor Lucas Otávio,
Renomado literato e grande escritor.
Para o inferno.

Não quero que ao citarem Lucas Otávio
Ela diga "Acho que conheço esse escritor, estudei com ele quando jovem."
Quero que ao citarem Lucas Otávio
Ela diga "Que é que tem o meu amor?"

Tenho um milhão de sonhos, não sei se os realizarei.
Tenho um milhão de sonhos, mas os trocava por apenas um maior que todos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Não acabaremos juntos.
Pronto, é essa a verdade,
Sem maquilhagem, sem adornos.
Não és minha,
Eu não sou teu, e tu sequer quererias.

A verdade - a triste verdade - é simples:
Tu e eu não formamos um nós,
Tu e eu não somos nem tu e eu, para começar,
Pois para usar o tu eu teria de estar a falar contigo directamente,
E não estou.
Na realidade, falei contigo - hei de insistir no tu,
Apesar de saber que é errado - pouquíssimas vezes.

Não me amarás como eu te amo, eu bem sei,
Não me amarás jamais, e eu aceito isso.
Não há mesmo um motivo para me amares, eu entendo.
Sou todos teus sonhos juntos, mas invertidos,
É uma pena perceberes que não nascemos um para o outro.

Não me amas e estás certa, minha querida,
E nem vejo por que alguém me amaria.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Metarromance.

Não, nunca fui de misticismos.
Não acredito em deus
Ou em vida após a morte.
Em coisas imaginárias de toda sorte.

Mas por vezes juro sentir
Que sentes este meu amor.
Mesmo estando assim tão longe
Mesmo sendo assim não minha.

E eu só queria saber
Se sentirás este poema,
Se ouvirás estas palavras,
Mas cá fico, a perguntar-me.

Ouves, princesa,
Meus clamores?
Acreditas, querida,
Em meu amor?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Racionalismo.

Outrora estava a pensar no amor,
No que eu sinto por ti
E no porquê não sentes nada por mim.

Mas foi justamente aí que entendi tudo:
Amor não é algo que exige raciocínio,
Não tenho de pensar se me amas,
Ou se deverias me amar.
Devo amar-te apenas,
Sem querer nada em troca,
Sem pensar se mereço teu amor.
Pois se eu te amar verdadeiramente,
Decerto que esse amor será retribuído.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Tercetos, ou sentimentalismo sem sentimentos.

Ela queria verdadeiro amor,
Foi o que me pediu,
Um poema em seu louvor.

Ela disse que faltava sentimento,
Que os versos eram falsos,
Não reflectiam o que realmente sinto.

Mas olha aqui, minha querida:
Como podes pedir por amor
Se não o regas em tua própria vida?

Meu amor é uma flor em teu jardim,
Jardim esse tua vida,
E tens de cuidá-lo não é para mim.

Já esse amor tão leviano que tens levado
É como flor de plástico,
Tem beleza, mas não é como o por mim cultivado.

Pedes por sentimentalismos
Mas não tens sentimentos.
Não posso te escrever sem motivos.

Nossa planta está já morta,
E esse amor é como regar cactos
No final das contas, pouco importa.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Imperfeito.

Não, eu não vou mais reclamar por seu amor,
Seria uma maldade, um desrespeito contigo.
A culpa é toda minha, querida,
Não mereço teu amor.

Honestamente,
Sou daqueles que, se perguntarem a uma moça comum
Sua descrição de um bom menino, de um menino amável,
Será exactamente a descrição.
Mas que quando elas os veem,
Não reconhecem,
Não são tão apaixonadas como dizem.

A poesia não me dá teu amor,
O conhecimento não conquista seu coração.
E eu não te culpo, amor,
Quem amaria um garoto como eu?
A culpa é toda minha,
É só minha,
Não mereço teu amor.

Imagina-me com alguém
E tenta não rir.
Eu sei que não conseguiste,
E nem haveria como,
Sou ímpar, nasci assim,
Não tenho par na vida,
E nem mereço ter.

Compara-me com aquele outro garoto.
Ele age infantil e tolamente,
Eu sou um garoto amável e maduro,
Ele não usa os pronomes correctamente,
Eu sou tão poético.
Ele tomou uma atitude,
E eu?
É, ele te mereceu,
Eu? Se não fosse tão medroso,
Até te mereceria.
Mereceria, assim mesmo,
No futuro do pretérito,
Mas que soa tão imperfeito.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Às vezes eu queria te ver chorar.
Saber que também tens um coração,
E que sofres como todos os outros.

Às vezes eu queria te ver.
A saudade bate, meu coração se abre,
E sofro como todos os outros dias.

Às vezes eu só queria te fazer chorar,
Saber que me amaste só um pouquinho,
E que sofres como eu sempre sofri.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lembrei-me hoje de como éramos,
Da nossa imaturidade,
Da nossa alegria.

Mas o que mais me tocou
Foi a lembrança de um simples facto,
Da maneira como amavas frases feitas.

É, as frases feitas que eu te dizia,
Versos de outros poetas,
Que eu recitava sem sequer saber que seria um.

Agora que vem a triste ironia,
Essa comicidade tão depressiva que há em mim,
A tragicomédia típica do meu coração:

Justo agora que tanto escrevo sobre ti,
Não te mostro os poemas,
Estás tão distante, jamais os lerás.

Imagino se os lesses,
Um poema qualquer
Dentre todos que são teus.

Em meio àquele incêndio emocional,
Derreter-te-ias de amor,
Ou sairias com medo do calor?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Anedota cíclica.

Apaixono-me por ti.
Sofro por ti.
Escrevo-te lindos poemas.
Um dia os descobres.
Apaixona-te por mim.
Não consigo escrever sobre o real.
Perdes o encanto por mim.

Apaixono-me por ti.
Sofro.
Escrevo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A pedra.

Andava eu pelas lastimáveis
Ruas paulistanas, quando tropecei
Numa pedra tão pobrezinha.

A triste pedra nada me fez
E eu já ia maldizê-la,
Quando fitei-a com carinho.

A pobre pedra sofria,
Todos a ela odiavam,
Dizia que a atiraram.

As pessoas a repudiavam,
Queriam-na fora de seus sapatos,
Queriam-na longe, fora de seu caminho.

A lacrimosa pedra era odiada,
Criticavam-na quando selva,
Xingavam-na quando coração.

Mas se nem coração ela podia ser,
O que seria então a solitária pedra?
"Pobre pedra", eu pensava comigo mesmo.

Se a tirei do meu caminho? Que nada.
Tem uma pedra no meio do caminho?
Que bom.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Normal.

Às vezes queria ser normal.
Queria gostar do que os outros gostam,
Queria gostar dos outros.
Queria achar poesia uma coisa de idiota.
Às vezes queria ser amado.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Meu amor.

Certo, eu te amo.
Não preciso de hipérbatos,
Nem de poesia para isso.

Eu te olho e meu coração dá cambalhotas,
Quando te encontro é como pôr uma borboleta na boca,
Senti-la descer pelo esófago,
E nessa hora dá-me uma náusea,
Mas uma náusea boa,
E depois ter uma dor no estômago,
Sabendo que é a borboleta sendo dissolvida pelo suco gástrico.

E quando sorris para mim?
Deus, isso é tão bom.
Teu sorriso tira-me toda a razão,
Alegra-me, joga-me, aperta-me,
Preenche-me, beija-me, sorri-me,
Tudo num só.
E daí que o sorriso não foi para mim?
Foi sorriso,
E foi dela,
Que mais posso querer?

Mas por fim vais embora.
Não te vás, não dessa vez,
Não, minha princesa, fica mais um pouco,
Fala com aquele seu amigo, e deixa-me admirar-te.
Fica só mais um minuto?
Não te vás, nunca mais.

Não é certo eu amar-te
Preciso é de razão,
Deixar de lado esse amor embevecido.
Mas eu te amo, e só.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Apagar.

Preciso te apagar de uma só vez,
Tudo que és para mim,
E tudo que me lembra de ti.
Mas há só um problema,
Te apagar de mim
Seria me apagar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ideário.

Não acredito em felicidade,
Ou em deus.
Mas acredito em amor,
O amor é meu deus, e só.

Grandes artistas não tem criatividade,
Eis o que aprendi.
A verdadeira arte é uma cópia
Maquilhada da vida, e só.
Poetas não inventam amores, eles os recriam.
Grandes artistas tem imaginação
Para idealizar o mais-que-perfeito,
Ou sofrer com a pior das hipóteses.

Sou jovem e já triste.
Apaixonei-me quatro vezes em toda minha vida,
Dois amores falsos e dois verdadeiros,
Uma criação para cada sensação.

Jamais amei alguém que mostrou amar-me de volta,
A vida mostrou-me que isso é errado,
Amor é algo unilateral,
E só.

Meu primeiro verdadeiro amor
Foi de todo alegria,
Exceptuando-se meu coração partido.

Meu segundo verdadeiro amor,
Foi um amor superficial,
Amei-a tempo suficiente para senti-la.
Quando ia lhe entregar meu coração,
Na outra mão vi o punhal.
À sua primeira reacção dei-lhe adeus,
Antes do amor, a despedida.

Tenho um milhão de musas.
Vi-te nas paulistanas ruas,
Achei-te agradável.
Pronto, querida,
Aqui está o seu poema.

Pensar para escrever poemas?
Eu penso para lê-los e entendê-los.
Pensar, mas que absurdo.
Poemas são sensações, emoções.
Deixemos os pensamentos para os filósofos.
A poesia deve ser sentimento.
Escrever poemas como quem ama,
Ver seu coração no papel,
Abrir-se e ver o sangue a escorrer em forma de palavras.

Para escrever basta amar,
Para amar basta existir,
E existir precede tudo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poema.

Não sei por que te escrevo esse poema.
Sinceramente, não há motivo.
Jamais irás lê-lo,
Tampouco lerás aqueles outros sete.
Não há porquê, não há explicação.

Quem sabe eu seja apenas um tolo.
Um garoto normal não escreveria poemas,
Ele tomaria atitudes, tentaria conquistá-la.
Assim como está a fazer aquele garoto contigo.

Amo-te tanto, desastrada princesa.
Mas és minha, és minha em minha mente,
E, platonicamente, vivo nesse mundo,
Nesse ideal mundo em que me amas de volta,
Nesse perfeito mundo onde és apenas minha.

Queria tanto te ter.
Queria tanto viver contigo
Queria tanto não ser eu.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Se você me amasse de volta,
Eu decerto que seria mais feliz,
Eu não estaria agora apenas pensando em ti,
Eu estaria contigo, e você também pensaria em mim.

Se você me amasse de volta,
Eu não falaria de você para aquele meu amigo,
Eu mandaria para o inferno aquele meu amigo,
Eu estaria com você, e só com você.

Se você me amasse de volta,
Eu não te apontaria dizendo
"É aquela lá que eu tanto queria ao meu lado."
Apenas apontaria a minha garota, e só.

Se você me amasse de volta,
Eu não imaginaria a minha vida toda ao seu lado,
Eu faria planos de como viveríamos,
E pensaria apenas no nosso futuro.

Se você me amasse de volta,
As coisas seriam tão mais simples:
Eu seria seu, você minha,
E esse poema jamais existiria.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A prisão.

Eu não vi,
Eu deveria sentir?

Eu pressenti?
Eu pressenti, ou melhor, vi.
Vi toda sua frieza
Com seu distanciamento
E sua tristeza,
Eu pressenti a traição.

Tenho saudades de ti,
Mas não daquelas palavras,
Daquelas palavras tão mal ditas,
Gaguejando, fraquejando e me abandonando.
O fim em cinco palavras.

Agora meu coração se fechou,
Meu coração é uma prisão,
Que me impede de amar outras pessoas.

Se ele será livre?
Eu não sei.
Se você um dia me amou?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Preto, cinza e branco.

Somos todos perdedores até que se prove o contrário,
Eis a verdade,
A única verdade.

Acordei hoje com a vontade de não ter vontades,
Feito Campos, queria ser qualquer pessoa,
Menos eu.
Acordei com vontade de não ser.
Acordei com a vontade de não viver.

A vida nada mais vale,
Evidente, há quem viva,
Mas tornou-se passatempo.
"Nada tenho para fazer,
Bem, acho que vou viver."

E nesse não querer nada,
Fui fazer tudo.
Acordar, sorrir e fingir.
Há-de se estudar,
Há-de se trabalhar.

Mas em meio a esse cinza dia,
Vi vida, uma vida tão linda.
Era uma moça tão assim, sorriso.
E ela, naquele sapatilho amarelo,
Batia o pezinho na batida do meu coração.

Ela sorria, ela era luz
Cor e vida.
Ela era amor em meio ao cinza.
E minha vida tão cinza nada perto dela.

Eu bem que podia ter dito a ela o que pensava,
Que era a mais formosa de todas moças,
Que a cada minuto que se ia,
Mais eu me apaixonava.

Eu bem que podia deixar de ser um fracasso?
Talvez não, alguns estão fadados a isso.
Eu sou um perdedor,
E comprovo isso todo dia.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Poema adulto.

Poesia? Não me vale de nada.
Não mexe nas cotações,
E nem sobe as minhas ações.
Poesia? Coisa de criança,
De adolescente apaixonado.

Poesia? Acho até bonito,
Mas tenho muito mais o que fazer:
Três filhos, roupa pra passar,
Janta pra fazer. E depois ainda trabalho.
Não tenho tempo pra pensar nessas coisas

Poesia? Coisa de mulherzinha.
Só serve no máximo pra elas gostarem da gente.
Essas riminhas e frases bonitinhas
Não vão fazer meu time jogar bem,
Nem vão pagar minhas contas.

Poesia? É a minha vida.
É decerto a coisa mais bela que há.
A poesia, a tão amável poesia.
É para ela que sempre vivi,
Para ela que vivo e viverei.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vozes.

Eu ouço vozes.
Elas gritam, elas cantam,
Elas recitam-me versos,
Poemas sem começo,
Poemas sem fim.

Eu ouço vozes.
Quiçá eu apenas esteja louco,
Quiçá seja apenas essa dor de cabeça.
Posso estar apenas doente, uma doença sem fim,
Ou talvez eu seja a doença.

Eu ouço vozes.
Elas querem que eu diga essas palavras.
Elas podem ser de pessoas que se foram,
E que nunca tiveram a chance de dizê-las,
Que tiveram um triste fim, sem ninguém para ouvi-las.

Eu ouço vozes.
Tristes vozes.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Conselhos para a juventude.

Há-de amar,
É a única coisa que aprendi nesse tempo.

Mas há-de se pensar,
Por que amas?
Quem amas?

Há-de amar a si,
Pois se não o fizermos, quem o fará?

Mas há-de maneirar,
Devemos nos aceitar e admirar,
Sem nos acharmos o centro do universo.

Há-de amar alguém,
Um alguém especial, uma referência.

Mas há-de se conter.
Se amarmos tão intensamente
Só um erro do amor e a decepção toma seu lugar.

Há-de amar o mundo,
Amá-lo sempre, e contemplá-lo feliz.

E há-de amá-lo tanto,
Amá-lo irrestritamente, a vida é linda,
Olhar o céu, sorrir, viver e amar.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Perdição.

Eu perdi.
Sei que já disse outras vezes,
Mas dessa vez foi definitivo.

Eu perdi e me rendo.
Lembra-se daquele garoto sonhador?
Lembra-se do garoto que acreditava?
Ele perdeu.
Ele está longe daqui.

Ele se rendeu.
Sabe que não haverá outra vez.
E dessa vez está acabado.

Ele se rendeu e se orgulha.
Por finalmente ver que não pertence,
Por descobrir que ele é só mais um.
Eu me rendo.
Eu estou triste aqui.

Eu me orgulho.
Sei que não tenho futuro.
Mas dessa vez não quero mais.

Eu me orgulho e me desespero.
Cai então essa lágrima em meu peito,
Cai esse sangue de meu corpo.
Nós nos desesperamos.
Nós estamos tão sós assim.

Nós nos desesperamos
Sabemos que é tudo passado,
E dessa vez não daremos certo.

Nós nos desesperamos e nos amamos.
Choramos tanto um pelo outro,
Choramos tanto pelo que não volta.
Eu amei.
Eu estou tão perdido aqui.

Eu amei,
Sei que foi por algo bom.
Mas dessa vez não vou me encontrar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sanduíches.

Outrora estava eu a comer um sanduíche.
Era delicioso,
Que queijo,
Que presunto,
E que salada.
Era um sanduíche óptimo, mas algo que lhe faltava.

Preparei depois eu mesmo um sanduíche.
Era mal feito,
O queijo quase caía,
O presunto não se sentia,
E a salada era insossa.
Mas como estava delicioso aquele meu sanduíche.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Esperança.

Ele espera todos os dias por uma mudança,
"Hoje eu a reencontro, hoje ela volta."
Tem esperança, sonha sempre,
Mas a realidade não lhe sorri jamais.

Olha para trás e pensa,
"Talvez..."
Mas ela não vem,
Não dessa vez.

Hoje algo pousou-lhe no ombro,
Ele sorriu, seria sua mão?
Mas quando virou, verificou,
Era apenas uma cigarra.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O seu poema.

Eu tinha apenas treze anos,
E ninguém jamais me havia sorrido.
Foi aí que você apareceu,
Tirando-me daquele mundo, mostrando que há sim vida,
Mas há vida sem você?

Eu deveria ter lhe mostrado Laura Marling,
Você amaria.
De certo que amaria.
Mas de que adiantariam todos aqueles acordes ingleses,
Aquelas rimas tão bonitas,
Se no final eu seria o seu Fink?

Lembrei que não sou nada na sua vida,
Embora você seja a minha.
Mas tudo bem, está sempre tudo bem.
Quando perguntarem-me como estou,
Responderei "Está tudo bem."
Está sempre tudo bem?

Se alguém um dia me perguntar como é amar,
Eu direi que é maravilhoso,
Apontando-lhe como exemplo.
Se alguém um dia me perguntar como é amar,
Eu direi que é horrível,
Apontando-lhe como exemplo.

Nós somos um exemplo a todos jovens que querem amar.
Portanto, se estiverem a ler,
Amem como nós nos amamos,
Não errem como eu errei, não errem.

E agora eu passo noites a sussurrar,
Que você voltará,
Que tudo isso vai passar,
Que as coisas vão melhorar.
E agora eu passo noites a mentir.

Se doeu? Doeu sim, bastante.
Mas eu não negaria viver tudo novamente,
Você fez eu me sentir tão bem.

Eu menti pra você,
Mas aqui está o seu poema.
Você fez eu me sentir tão bem.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Outro fim.

Acabou a poesia, querida.
Não que ela ainda seja necessária,
Tendo-te ao meu lado minha vida já seria completa,
Belas palavras não melhorarão em nada.

Terminar ao teu lado seria o mais-que-perfeito,
Mas não a tenho mais,
E agora nada mais me alegra
Acabou a vida, querida.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Anedota infantil.

Há quatro anos atrás eu amava uma garota.
Ela era linda, amável e sorridente,
Meu dia se animava ao ouvir sua voz tão estridente.

Há quatro anos atrás eu menti para essa garota.
Disse-lhe que escrevera um poema,
Mas era de Reis ou de Campos, e isso me foi um problema.

Há quatro anos atrás tentei arrumar as coisas com a garota.
Mostrei-lhe o primeiro poema que escrevi,
Não era tão bom, mas a fez sorrir.

Há quatro anos eu amo uma garota.
E todos poemas que escrevo são dela, hoje em dia.
Não saiu tão cómico quanto parecia.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"Daqui a cinco anos..."

Se lembra de quando nos conhecemos?
De como éramos tolos,
De como éramos imaturos?

Se lembra das promessas que fizemos?
E de como não mantivemos nenhuma,
E mesmo assim fomos tão felizes?

Se lembra de como olhávamos para os furos do telhado?
Como se fossem estrelas
E estivéssemos ao luar.

Se lembra daquilo que eu disse?
"Daqui a cinco anos estaremos andando por aqui,
De mãos dadas, talvez até passeemos no zoológico."

Se foram quatro anos, e você também.
Constantemente me lembro da promessa,
Mas não haverá zoológico dessa vez.

Em cinco anos eu achei que tudo aquilo estaria esquecido
Mas não foi, as promessas vivem em mim,
E nesse próximo ano eu juro que te esqueço.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pedido de casamento.

Sou daqueles que acreditam no amor,
E que esperam ter par para toda a vida.

Eu só queria com a minha querida casar,
Com aquela galesinha de cabelo cobreado,
Com seu sorriso tortuoso sempre ao meu lado.

Viver junto dela, crescer, fazer arte,
Fazer história, ter filhos, e morrer ao seu lado.
Queria apenas tê-la, apenas isso.

Sou daqueles que acreditam no amor,
Mas não em conto de fadas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sobre muffins e labradores.

Não sou um labrador, admito.
Também, muffins eu sequer sinto.
Mas eu sei respeitar aos labradores,
E aceitá-los, sentindo suas dores.

Homens de verdade dançam sim,
Bailam, vão em plié até o fim.
Eles apenas não fazem pointé.
Só as demoiselles o fazem, e isso que é sofrer.

Labradores não se importam se o são ou não.
São honrosos, sabem também ir de encontro ao chão,
E levantar, levantar e seguir em frente,
É isso que de outros grandes não é diferente.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Ilógico.

Odeio ser pensante.
O pensar é-me pesaroso.
Não me vale de nada.

O existir é nitidamente superior,
Viver, tocar, sentir e ser.
Mas as coisas nunca foram como deveriam ser.

Ser pensante tornou-se irracional
O pensar é-me ilógico
Não que eu tenha pensado nisso.

O pensar continua tendo maior valor
O imaginário é a minha vida.
Penso que é melhor ser pensante.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Preciso de novidade.
Fernanda, Maria, Ana ou Joaquina.

Sem Desastre, Sofia, Marina ou Medusa.
Todas essas me entediam hoje.
São passado, passado tão vazio.

Preciso de futuro.
De alguém que me mostre uma nova vida.

Sem sofrimento, sem literatura ou música.
Tudo isso é o que sempre fui.
É o que hoje repugno com tanto asco.

Preciso de alguém.
De uma moça que me mostre outra vida.

Sem regras, sem hora para dormir ou nada disso.
Isso é o que sempre prezei, mas estava errado,
Era o que não devia ser, mas mudei.

Preciso de novidade.
De algo que jamais buscarei.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Bom menino.

Eu não sou a melhor pessoa do mundo.
Não sou atlético,
Nem sou engraçado,
Muito menos bonito.
Sou inteligente, mas nem tanto.
Sou um completo parvo.
Não tenho grande utilidade para o mundo, admito.

Por outro lado, não faço lá tanto mal assim.
Jamais briguei,
Tampouco matei,
Xingo no máximo a meus amigos,
E nem quero dizer o que digo.
Nunca vandalizei nada,
Não odeio a ninguém, no máximo fico triste.
Eu não sou a pior pessoa do mundo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ontem à noite sonhei contigo.
Estavas em meus braços,
Eras minha e só.

E vendo tudo assim,
Tive uma quase-epifania,
E entendo porque nunca me amaste.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Post Scriptum.

Disseram-me que chegaremos a um frio ímpar.
Pois bem, que congelemos.
De que adianta viver, se não for junto a Marina?

Que o mundo congele, ser-me-ia tão legal,
Eu e Marina tendo igual final.
Muito embora eu houvesse prometido um derretimento
Mas um fim unido serviria de alento.

Que congelemos, que tudo acabe de uma só vez.
Pois sem ela nada vale, nem a poesia, nem os estudos.
Nem minha música ou dinheiro.
Sem o amor dela, que todo esse gelo derreteria.

Disseram-me que chegaremos a um frio ímpar
Pois bem, que chegue.
Mas não será maior que o gelo de meu coração.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A cicatriz.

Chegaste e me cortaste.
Partiste e me deixaste aberto.

Eis a síntese de nossa vida, Medusa.
Tu me destruíste, simples assim.
Comigo acabaste, eis meu fim.

Agora não consigo mais ser o mesmo,
Mesmo que tente retomar minha poesia
Ela será escrita com teu sangue.
Por mais que eu tente mudar,
Nela sempre estará nossa cicatriz.

Eis o que aconteceu com minha vida,
Por uma navalha de amor fora aberta
E nunca mais voltará a ser como era.

Nos amamos até onde podíamos,
Mas de ti hoje resta-me apenas a cicatriz.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O corte.

Já me cortei muitas vezes,
Já sangrei muitas vezes, Medusa.
Mas contigo foi tudo diferente,
A maneira como me cortaste,
A maneira como me tocaste.

Infelizmente, como tudo,
Tiveste de partir.
Partiu-me em dois,
Com um só corte acabaste comigo.

Não fui o suficiente, Medusa?
Nosso sangue não é mais o mesmo, eu sei.
Gritas o nome dele mais alto que o meu?
Escreveste com o sangue, Medusa, éramos um.
Ele é tudo que sempre quiseste que eu fosse?
Eu só queria saber, do fundo de meu cortado coração,
Não fui o suficiente, Medusa?

Agora esse corte, embora curto,
Sangrará para sempre em mim, Medusa.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O sangue.

Meu corpo aberto
Por uma navalha que me deste.
Meu coração aberto
Ao teu amor, a tudo que quiseres.

Meu sangue escorria
Eu, biologicamente, morria.
Meu sangue escorria
Eu, emocionalmente, nascia.

Meu sangue não mais corre
Escorre somente, escorre para fora de mim.
Escorre com ele a dor, o sofrimento
Passado sem ti, Medusa.

Meu corpo mutilado.
Finalmente sinto-me vivo.
Meu sangue por ti derramado.
Arde, mas é a menor dor que posso ter sentido.

Meu amor, nosso sangue,
Sangue de dois, vertendo do que será cicatriz.
Meu sangue, nosso amor,
Com o qual uma vida inteira escrevi e fiz.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O grito.

Eu te disse que te amo.
Olhaste-me com uma certa admiração.
Talvez do amor,
Talvez de como o disse.

Escrevi-te um poema de amor.
Figuras de linguagem e rimas perfeitas.
Quando o viste, deste um sorriso.
Apenas um sorriso.
Eu vi que não te havia convencido.

Compus uma canção em teu louvor.
Bela melodia, doces palavras.
Achaste-a bonita, mas algo faltava.

"Algo falta, meu amor
Talvez vontade, um certo fervor."

Ao último verso da música, senti.
Eu te amo, Medusa.
Gritei, te amei.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O batismo.

Pedi-te que deixasses-me entrar em tua vida.
Deixasses que eu fosse parte de ti.
"Passarás pelo batismo, querido."

Entregaste-me uma navalha
E fizeste um só pedido
"Marca em ti a inicial do teu amor."

Primeiro corte.
Doeu, mas era por ti que o fazia.

Segundo corte.
Sangrou, com esse sangue nosso amor nascia.

Terceiro corte.
Abri, teu nome em mim.

Quarto corte.
Sangrou, e o sangue era agora todo teu.

Tua inicial em mim.
Eu aberto a ti.

Medusa, para sempre minha.
Para sempre serei teu, Medusa.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Quadra mudada.

Mudarei, cansei de minha vida.
Haverá de ser no mínimo divertido.
Mudarei, adeus realidade querida.
No mínimo só mais um coração partido.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Algo cómico aconteceu-me há minutos.
Eu estava sentado a essa mesma mesa,
Lia um livro e pensava.
Quando perguntei-me se havia tomado água
Parte de mim jurava que sim, a outra que não.
Esquecera-me de algo que havia feito - ou não - há cinco minutos.

O cómico é que de ti não esqueço
Daquele dia, há três anos atrás, não esqueço.
Do vestido que usavas,
Da piada que fizeram-me quando de relance mirei tuas pernas.
De como pediste para que não fosse embora.
"Não, não te vás."

O trágico é que de ti não esqueço.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Doze de junho.

Passou então mais um doze de junho.
Vi sorrisos por toda a parte.

Entristeci-me, apesar de todas as alegrias.
Não porque era mais um dos dezassete anos que passava sozinho.
Mas porque era o quarto que passava sem ti.
Queria poder dar-te presentes
Dizer o quanto te amo.
Queria que amasse-me de volta.
Mas não, passou o dia com um outro.

Vivi-o na completa solidão.
Passou assim mais um doze de junho.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Meu amor.

Ela é o meu amor.
Eu sei que ela também me ama.

Ela é o meu Sol
Ela guia-me todos os dias.

Ela é alegria em dias tristes
Ela ilumina sempre minha vida.

Ela é o meu maior amor.
Ela é o meu mais sincero amor.

Ela é tudo.
Ela é simplesmente tudo.

Ela é o que basta-me para ser feliz.
Ela é quem me faz sorrir quando em lágrimas.

Ela é o que me resta do que realmente sou.
Ela é quem mostra-me quando estou errado.

Ela é uma menina jovem.
Ela consegue ainda assim ser mais madura que muitos.

Ela é a menina mais doce do mundo.
Ela é tudo que todos deveriam ser.

Ela é meu mar de calmaria.
Ela é quem põe as coisas em seu lugar.

Ela é meu amor, eis tudo.
Ela é e sempre será a minha querida.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O dia da minha morte.

Não sei quando será.
Não sei porque ocorrerá.
Sei como será.

Será calmo, eu bem sei.
Haverá apenas silêncio.
Será o dia mais tranquilo de minha vida, ou morte.

Pode vir logo
Ou demorar quase um centenário.
Mas de um ou de outro jeito, estarei preparado.

Peço que nele não chorem
Sorriam, lembrem do que fui.
Apenas lembrem de mim.

Se sentirem saudades
Leiam meus poemas
Neles encontrar-me-ão quando quiserem.

Então esperemos por ele.
O dia da minha morte.
Será um dia normal.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sobre uma garota.

Ela era linda.
Eu a amava.
Ela disse-me o mesmo
Ela mentiu.

Ela ficou ao meu lado.
Ela disse que eu era o único.
Ela prometeu nunca partir.
Ela mentiu.

Ela era tudo que eu queria.
Ela ainda é tudo que eu quero.
Ela é tudo que eu sempre quis.
Ela mentiu.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Rimas pobres e métrica inexistente.

Foi há um ano, nesse mesmo dia,
Que eu resolvi ser alguém
Começaria a escrever poesia
Fosse para o mal, fosse para o bem.

Um ano de musas e amores
De desastres e de dores.
Ano afrodisíaco esse que passou.
Aquela flor nesse ano o seu cheiro em mim deixou.

Um ano de muita dança
Sem jamais perder a esperança.
Um ano também cheio de sabedoria
Cultuada com uma bailarina e muita filosofia.

Um ano de rimas pobres e de métrica inexistente
Será que isso deixar-me-á contente?
Um ano de poesia de segunda mão.
Voltarei a ser o mesmo? Juro que não.

Pouco importa se foi bom ou se foi ruim,
Foi poesia.
Espero que isso jamais tenha um fim
Isso que começou há um ano, nesse mesmo dia.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Poema para a poetisa.

Devo admitir, és única.
É a primeira vez que faço isso.
Um poema a uma poetisa,
Um poema a ti, tão eu,
Poética e musical.

Não preciso admitir que és linda,
Tal qualidade é consensual.
Quem te vê já o sabe.
Teu sorriso, obliquamente perfeito,
Tua voz, tão docemente jovial.

Devo admitir, é irónico.
Escrever a quem escreve tão bem,
Não necessitas de minhas palavras,
És autossuficiente em tais termos.
És poética como nunca serei.

Não preciso admitir, te amo.
Já sabes disso, minha cara.
Quem me vê já sabe.
Meu sorriso, diferente quando te vejo.
Meus poemas, tão incrivelmente teus.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Reverso.

Conheces a história da bailarina, eu bem sei.
Daquela que enamorou-se por um cosmonauta.

Pois bem, eu jurava que éramos assim,
Eu o teu cosmonauta, minha cara.
Mas nosso amor não é normal,
Nosso amor não segue
Regras comuns a todos.

Nosso amor é reverso, querida.
Querida, reversos sempre somos.

És minha cosmonauta.
E eu, embora não dance,
Contigo consigo arriscar-me.
Sou teu bailarino, mas apenas teu.
E és minha cosmonauta, sempre será.

Aquele que enamorou-se por uma cosmonauta
Conheces a história do bailarino, eu bem sei.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O poeta não tem vida,
É impossível conciliar vida social com a arte.
Assim sendo, não se vive com intensidade.

O poeta usa a vida,
A poesia é apenas transcrição de acontecimentos
Tragédias são dádivas nas mãos do verdadeiro poeta.

O poeta não ama,
Cria amores somente. O amor poético há-de ser irreal.
Não há beleza verdadeira no concreto, a arte é a ilusão.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Carta à Bailarina.

Convidaram-me hoje a dançar, querida.
Tendia a recusar, visto que não era contigo,
Insistiram, recusei mais uma vez, só sei dançar com você, bailarina.
Mas acabei indo bailar, por algum motivo que não me é claro.

Dancei, e dancei mal.
É claro que não sou nenhum Fred Astaire,
Mas dancei muitíssimo mal, querida.
Não foi como quando estou contigo.

Só agora entendo o motivo de meu desastre dançante
O par, há-de ser o par.
Eu só sei dançar junto de ti, bailarina.
Eu só sei dançar com amor.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Vitória.

A infância é uma completa vitória.
A infância é a vitória da alegria sobre a tristeza,
A vitória do sonho sobre o fracasso.
Embora quando infantes erremos demasiadamente.
A infância é a vitória dos sorrisos sobre os choros,
Mesmo que por vezes choremos mais que sorrimos,
Ainda assim o sorriso é mais forte.
A infância é a vitória da verdade sobre a mentira,
Verdade essa que por vezes dói,
Verdade que dói menos que a mentira descoberta.
A infância é simplesmente uma vitória.
A infância é a vitória da vida.
Daquela vida que amaríamos reviver.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Hoje fiz-te uma brincadeira tola,
Parvoíce de apaixonado.
Sorriste, mas não riste.
Foi um sorriso tímido, tão desanimado.
Sequer mostraste teus lindos dentes.
Teus pensamentos escondiam-se também atrás de tua escarlate boca.

Jogaste os áureos cabelos para trás
E novamente deste-me o infame sorriso.
Não me contaste o porquê, mas eu sei.
Era um sorriso piedoso,
Uma quase-lástima,
Sorriso de quem diz:

"Pobrezinho de ti...
Apaixonar-se por mim."

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Não sou legal.
Não sou divertido.
Sou certinho.
Tiro boas notas.
Não bebo.
Me apaixono.
Não sigo tendências.
Gosto de ler.
Não fumo.
Não parto corações.
Gosto de estudar.
Não faço idiotices.
Escrevo poesia.
Não sou pegador.
Sou educado.
Sou verdadeiro.
Não sou feliz.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um dia sem sentimentalismos.

Um dia sem sentimentalismos
Parece-me tão ideal.
Eu juro, ainda conseguirei ter
Um dia sem sentimentalismos.

Um dia sem sentimentalismos
Será calmo, não lembrarei de ti.
Eu sonho todos os dias com
Um dia sem sentimentalismos.

Um dia sem sentimentalismos
Eu poderia viver comigo mesmo
A literatura, a música e eu, juntos em
Um dia sem sentimentalismos.

Um dia sem sentimentalismos
Seria um dia incompleto
Seria finalmente um dia feliz
Um dia sem sentimentalismos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ovelhas não se beijam.

Ovelhas não se beijam.
Faz completo sentido,
Beijos não são nada de mais.
Apenas o toque de lábios,
Por vezes com movimentos linguais
Juntos de trocas de saliva e actos de sucção.

Sequer vi um urso a escrever sonetos
Um urso que tentasse conquistar assim a amada.
Nesse caso o urso parece mais civilizado que eu.
Ele não sabe que cá está apenas pelo ciclo natural
- nascer, crescer, procriar e morrer -
Mas mesmo assim, o segue com maior disciplina.

Já vi humanos que se beijam
E já escrevi eu mesmo sonetos de amor.
Mas não sei ao certo se estamos com a razão.
De que nos vale amar?
O amor não é nada de mais.
O amor é criação de nossas mentes.

Ovelhas não se beijam.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Filosofia.

Somos um só.
Eu e tu, sabedoria,
Nascemos um para o outro.
Somos um só, Sofia.

Sou um filósofo, no puro sentido
Amo-te, Sofia, toda tua erudição.
És meu contraste, minha amiga.
És a seriedade, sou a paixão.

Tentei viver com a filosofia
Mas falhei, não sirvo para isso.
Ao tentar te denunciar a ti mesma
Acabei descobrindo-me.

Se eu sou sol, és lua,
Se sou luz, és escuridão.
Sou a outra metade tua
Somos um só, uma só canção.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Espresso.

Eu sempre fui chá
Tinha asco por cafés.
Eu jurei pra mim mesmo
"Nunca gostarei de espresso."

Mas um dia tive de tomá-lo
Ou era espresso ou a sede.
Dei a princípio um pequenino gole,
Não era a pior coisa do mundo, nem a melhor,
Para aturar tive de adoçá-lo bastante.

Noutro dia lá estava o espresso
Resolvi tomá-lo de novo
Algo nele me cativara, eu bem sei.
Fazia-me vivo, tirava-me o enfado.
Bebi-o, dessa vez sem tanto açúcar,
Ao gosto já havia me habituado
O espresso não era mais por mim odiado.

Dias depois fui à mesa onde ele ficava.
O chá estava de volta
Mas peguei o espresso,
Preferi o espresso.
Mesmo tendo feito aquela promessa:
"Nunca gostarei de espresso."

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Rondó dançante.

Minha cara bailarina
És tudo que sempre quis.
Sê para sempre minha menina
Faze-me eternamente feliz.

Eu queria saber dançar
Mas não tenho tua graça e caprichos.
Meus pés não sabem para onde andar
Perco por completo meus sentidos.

Vem, vem e me guia
Em teus braços eu bailo.
Vem, minha querida tão esguia
Por tua postura, no chão eu caio.

Ah, estes teus pés, cheios de esmero
Partem meu coração em dois.
Bailarina, és tudo que quero,
Eu juro, por ti deixo tudo para depois.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Une goutte de gauchisme.

Não tentem me controlar
Não me ponham em uma prateleira.
Eu não vou deixar que me corrompam.
Pois eu irei transgredir.

O seu dinheiro não tem maior valor
Que a minha liberdade - ou o que me resta dela.
Eu sou apenas um, mas eu sou.
E sei que como eu existem outros milhares.
Juntos podemos vencer, companheiros.
Milhares com um ideal podem vencer
Um milhão de alienados.

Não tentem nos controlar
Não nos rotulem.
Nós não seremos corrompidos.
Pois nós iremos vencer.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Para Marina Firenze.

Eu te amo, Marina.
É simples, é directo.
Cansei-me de esconder teu nome
De chamar-te por flôr, e não Firenze.
De usar acrósticos para não dizer Marina

Marina, tu deste-me a vida.
Fizeste-me feliz como nunca antes eu havia sido.
Óh, minha menina de Florença
Poderias voltar?
Me enche de novo, Marina?
Volta, Marina, apenas volta.

Eu fiz tudo errado.
 Não era perfeito, eu sei.
Não fui teu namorado
Mas me perdoa, Marina.
Dessa vez eu faço tudo certo, querida.
Volta, querida.
Porque eu te amo, Mariana.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Poema sem nenhuma razão.

Este é um poema raso.
Não há cunho político
Nem cunho filosófico.
Apenas falo mais uma vez de amor.
Se estiver cansado dele, pode parar de ler aqui.

Mas tenho de falar dele, e dela.
Dele por estar tão presente em mim,
E dela, bem, por simplesmente sê-la.
Como sou feliz por ela existir.
Ela é, e isso é suficiente para que eu seja preenchido.

Ela é, e é linda,
Lindíssima, aliás.
Ela fala comigo de um jeito ímpar
Ela e aquela pele marfínea,
Com aquele toque tão gentil.
Ela e aqueles olhos de turquesa
Tão lindos, aqueles olhos que também são meus.

Ela é, e é minha.
Como sou feliz por ela ser minha.
Por saber que aquelas brincadeiras pueris
São para mim, e só.
Eu sei que não deveria amar tanto
Que posso me iludir
E que o amor me tira a razão.
Mas por ela eu deixaria toda a razão do mundo de lado.
Seria ignorante, idiota, imbecil e tolo,
Mas seria também feliz.

Ela é aquilo que eu procurava.
Todos sonhos em uma só garota.
Tudo que eu sempre quis.
É isso que ela é.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Romance.

Honestamente, para que amar?
O amor não passa de imaginação
De uma mente imensamente criativa.
Mas essa mente, tão imaginativa, bem que podia
Focar toda essa criatividade para algo bom,
E produzir coisas que tivessem alguma valia para a sociedade.

Amar? Amar e sofrer?
Não, muito obrigado,
Sou são.
Não preciso do amor,
Ou dessa auto-afirmação.

Um par? Alguém para me completar?
Eu tenho Fernando, Oscar, Gareth e Ezra.
Eles me preenchem o suficiente.
Não preciso de alguém que me diga coisas levianas
E sentimentos superficiais.

Romances são tediosos.
Simples assim.
Tal como um e um fazem um par,
Esse par há-de ser tedioso.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Caxias.

Tu, tão certinha
E com tua beleza tão simétrica.
Com os olhos azuis e cabelos dourados
Tua pele de marfim, tão macia.
Com toda essa sua ascendência ariana
E tua disciplina totalmente puritana.

Tu, que por mais que fosses estudiosa,
Usavas o "tu" incorrectamente,
Mas em conformidade com teus costumes.
E eu te corrigia
Apenas para brincar com teu coração.

Ah, minha menina tão Caxias,
Meu amor é todo teu.
Apesar de toda tua educação e moral,
Tu roubaste meu coração.
Com tua juventude e teu correcto amor

segunda-feira, 18 de abril de 2011

As pessoas passavam por mim
E cada uma deixava um pouco de si
Os pecados cometidos no botequim
Os preconceitos sobre aquele casal que vi.

Eu sou um pouco de cada um
Tenho todas cores, sou de qualquer idade
Sou todos e sou nenhum.
Sou apenas a sociedade.

Acho-me tão diferente
Mas faço parte e sou um milhão.
Nunca estou realmente contente,
Não deixei de ser a civilização.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nix.

Eu sei, estamos no outono
E ainda por cima sequer neva em São Paulo.
Mas juro-lhes, amigos, hoje eu vi neve,
E era linda.

Era neve, eu bem sei.
Aquela cor de marfim
Aquele toque suave,
Aquela frieza, que tanto aquecia meu coração.
Era neve.

Apaixonei-me por ela.
Deixou-me congelado
Perto dela, não podia mover-me
Era amor, amor verdadeiro.

Ela era única.
Eu poderia andar milhas e mais milhas
E jamais acharia alguém igual.

Ela caía, caía e me tocava,
Tocava-me e completava-me.
Mas, quando eu a abracei,
Esvaiu-se em minhas mãos.

Por fim, deitei-me junto a ela
- ou junto ao que foi um dia -
E cá, ao meu lado, ela jaz.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Poema tão sincero.

Menti. Ainda minto.
Pois é, não sou perfeito.
Faço coisas erradas, eu bem sei.

Fiz promessas, que por si só são meias mentiras.
Não cumpri metade delas.
A outra metade já era uma farsas desde o começo.

Peco, e peco com gosto.
Minto, e minto constantemente.
Não sou nada do que pensam.

Não sei que onde surgiu essa admiração por mim.
Não sou um sujeito admirável
Nem respeitável, ou amável.

Não mereço vossas amizades,
Não mereço vossos amores.
Não mereço.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Tenho um desejo somente.
E nesse poema procuro exprimi-lo.
Preciso ser internado em um sanatório
Apenas isso.
Verdadeiramente, preciso disso.

Enlouqueci, é essa a verdade.
Não suporto mais minha vida
Não suporto olhar no espelho e ver a mim
Minha face me é asquerosa, ultimamente.
Estou louco, estou perdido
Ante o sem-sentido mundo.

E não é que a vida dos outros seja mais simples.
É que eles possuem soluções,
Eles têm pessoas que os afagam, mesmo com os sofrimentos do mundo.
Eles não estão sós, eles não tem de enfrentar a loucura sozinhos.
Eles não estão sozinhos.