Outrora perguntaram-me
"Por que temos tão poucas poetisas?"
E eu então ia respondendo
Que não sei ao certo,
Mas que deve ter relação com o facto
De que as mulheres não tinham voz,
Que apenas viviam dentro de casa,
E que o pensar era apenas para os homens.
Mais tarde fui escrever um poema
E tive uma luz.
Não temos tantas poetisas
Por um simples facto:
O homem não presta, meu Deus,
Não temos poetisas
Pois elas não tem motivo de escrever.
Por que escreveriam para um homem bruto,
Para um homem que faz apenas ser troglodita?
Pois até mesmo os mais sentimentais
E os mais poéticos dos homens
Não deixam de ser homem.
E o homem não presta.
Por outro lado, o homem tem motivo para escrever,
O homem tem a mulher, e isso basta.
Por que não escreveria sobre aqueles cabelos
Ondulantes feito galhos e folhas ao vento?
Por que não escreveria sobre aqueles lábios
Rubros feito a rosa mais vermelha do bosque mais florido?
Por que não escreveria sobre aqueles olhos
Verdes como os jardins onde nos deitáramos?
E esse teu corpo, corpo tão delicado,
Cuja beleza eu jamais poderia profanar.
O homem escreve para ter coisas belas.
O homem cria a poesia.
A mulher não precisa escrever, é por si só belíssima.
A mulher é a poesia.
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