segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Tercetos, ou sentimentalismo sem sentimentos.

Ela queria verdadeiro amor,
Foi o que me pediu,
Um poema em seu louvor.

Ela disse que faltava sentimento,
Que os versos eram falsos,
Não reflectiam o que realmente sinto.

Mas olha aqui, minha querida:
Como podes pedir por amor
Se não o regas em tua própria vida?

Meu amor é uma flor em teu jardim,
Jardim esse tua vida,
E tens de cuidá-lo não é para mim.

Já esse amor tão leviano que tens levado
É como flor de plástico,
Tem beleza, mas não é como o por mim cultivado.

Pedes por sentimentalismos
Mas não tens sentimentos.
Não posso te escrever sem motivos.

Nossa planta está já morta,
E esse amor é como regar cactos
No final das contas, pouco importa.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Imperfeito.

Não, eu não vou mais reclamar por seu amor,
Seria uma maldade, um desrespeito contigo.
A culpa é toda minha, querida,
Não mereço teu amor.

Honestamente,
Sou daqueles que, se perguntarem a uma moça comum
Sua descrição de um bom menino, de um menino amável,
Será exactamente a descrição.
Mas que quando elas os veem,
Não reconhecem,
Não são tão apaixonadas como dizem.

A poesia não me dá teu amor,
O conhecimento não conquista seu coração.
E eu não te culpo, amor,
Quem amaria um garoto como eu?
A culpa é toda minha,
É só minha,
Não mereço teu amor.

Imagina-me com alguém
E tenta não rir.
Eu sei que não conseguiste,
E nem haveria como,
Sou ímpar, nasci assim,
Não tenho par na vida,
E nem mereço ter.

Compara-me com aquele outro garoto.
Ele age infantil e tolamente,
Eu sou um garoto amável e maduro,
Ele não usa os pronomes correctamente,
Eu sou tão poético.
Ele tomou uma atitude,
E eu?
É, ele te mereceu,
Eu? Se não fosse tão medroso,
Até te mereceria.
Mereceria, assim mesmo,
No futuro do pretérito,
Mas que soa tão imperfeito.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Às vezes eu queria te ver chorar.
Saber que também tens um coração,
E que sofres como todos os outros.

Às vezes eu queria te ver.
A saudade bate, meu coração se abre,
E sofro como todos os outros dias.

Às vezes eu só queria te fazer chorar,
Saber que me amaste só um pouquinho,
E que sofres como eu sempre sofri.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lembrei-me hoje de como éramos,
Da nossa imaturidade,
Da nossa alegria.

Mas o que mais me tocou
Foi a lembrança de um simples facto,
Da maneira como amavas frases feitas.

É, as frases feitas que eu te dizia,
Versos de outros poetas,
Que eu recitava sem sequer saber que seria um.

Agora que vem a triste ironia,
Essa comicidade tão depressiva que há em mim,
A tragicomédia típica do meu coração:

Justo agora que tanto escrevo sobre ti,
Não te mostro os poemas,
Estás tão distante, jamais os lerás.

Imagino se os lesses,
Um poema qualquer
Dentre todos que são teus.

Em meio àquele incêndio emocional,
Derreter-te-ias de amor,
Ou sairias com medo do calor?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Anedota cíclica.

Apaixono-me por ti.
Sofro por ti.
Escrevo-te lindos poemas.
Um dia os descobres.
Apaixona-te por mim.
Não consigo escrever sobre o real.
Perdes o encanto por mim.

Apaixono-me por ti.
Sofro.
Escrevo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A pedra.

Andava eu pelas lastimáveis
Ruas paulistanas, quando tropecei
Numa pedra tão pobrezinha.

A triste pedra nada me fez
E eu já ia maldizê-la,
Quando fitei-a com carinho.

A pobre pedra sofria,
Todos a ela odiavam,
Dizia que a atiraram.

As pessoas a repudiavam,
Queriam-na fora de seus sapatos,
Queriam-na longe, fora de seu caminho.

A lacrimosa pedra era odiada,
Criticavam-na quando selva,
Xingavam-na quando coração.

Mas se nem coração ela podia ser,
O que seria então a solitária pedra?
"Pobre pedra", eu pensava comigo mesmo.

Se a tirei do meu caminho? Que nada.
Tem uma pedra no meio do caminho?
Que bom.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Normal.

Às vezes queria ser normal.
Queria gostar do que os outros gostam,
Queria gostar dos outros.
Queria achar poesia uma coisa de idiota.
Às vezes queria ser amado.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Meu amor.

Certo, eu te amo.
Não preciso de hipérbatos,
Nem de poesia para isso.

Eu te olho e meu coração dá cambalhotas,
Quando te encontro é como pôr uma borboleta na boca,
Senti-la descer pelo esófago,
E nessa hora dá-me uma náusea,
Mas uma náusea boa,
E depois ter uma dor no estômago,
Sabendo que é a borboleta sendo dissolvida pelo suco gástrico.

E quando sorris para mim?
Deus, isso é tão bom.
Teu sorriso tira-me toda a razão,
Alegra-me, joga-me, aperta-me,
Preenche-me, beija-me, sorri-me,
Tudo num só.
E daí que o sorriso não foi para mim?
Foi sorriso,
E foi dela,
Que mais posso querer?

Mas por fim vais embora.
Não te vás, não dessa vez,
Não, minha princesa, fica mais um pouco,
Fala com aquele seu amigo, e deixa-me admirar-te.
Fica só mais um minuto?
Não te vás, nunca mais.

Não é certo eu amar-te
Preciso é de razão,
Deixar de lado esse amor embevecido.
Mas eu te amo, e só.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Apagar.

Preciso te apagar de uma só vez,
Tudo que és para mim,
E tudo que me lembra de ti.
Mas há só um problema,
Te apagar de mim
Seria me apagar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ideário.

Não acredito em felicidade,
Ou em deus.
Mas acredito em amor,
O amor é meu deus, e só.

Grandes artistas não tem criatividade,
Eis o que aprendi.
A verdadeira arte é uma cópia
Maquilhada da vida, e só.
Poetas não inventam amores, eles os recriam.
Grandes artistas tem imaginação
Para idealizar o mais-que-perfeito,
Ou sofrer com a pior das hipóteses.

Sou jovem e já triste.
Apaixonei-me quatro vezes em toda minha vida,
Dois amores falsos e dois verdadeiros,
Uma criação para cada sensação.

Jamais amei alguém que mostrou amar-me de volta,
A vida mostrou-me que isso é errado,
Amor é algo unilateral,
E só.

Meu primeiro verdadeiro amor
Foi de todo alegria,
Exceptuando-se meu coração partido.

Meu segundo verdadeiro amor,
Foi um amor superficial,
Amei-a tempo suficiente para senti-la.
Quando ia lhe entregar meu coração,
Na outra mão vi o punhal.
À sua primeira reacção dei-lhe adeus,
Antes do amor, a despedida.

Tenho um milhão de musas.
Vi-te nas paulistanas ruas,
Achei-te agradável.
Pronto, querida,
Aqui está o seu poema.

Pensar para escrever poemas?
Eu penso para lê-los e entendê-los.
Pensar, mas que absurdo.
Poemas são sensações, emoções.
Deixemos os pensamentos para os filósofos.
A poesia deve ser sentimento.
Escrever poemas como quem ama,
Ver seu coração no papel,
Abrir-se e ver o sangue a escorrer em forma de palavras.

Para escrever basta amar,
Para amar basta existir,
E existir precede tudo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poema.

Não sei por que te escrevo esse poema.
Sinceramente, não há motivo.
Jamais irás lê-lo,
Tampouco lerás aqueles outros sete.
Não há porquê, não há explicação.

Quem sabe eu seja apenas um tolo.
Um garoto normal não escreveria poemas,
Ele tomaria atitudes, tentaria conquistá-la.
Assim como está a fazer aquele garoto contigo.

Amo-te tanto, desastrada princesa.
Mas és minha, és minha em minha mente,
E, platonicamente, vivo nesse mundo,
Nesse ideal mundo em que me amas de volta,
Nesse perfeito mundo onde és apenas minha.

Queria tanto te ter.
Queria tanto viver contigo
Queria tanto não ser eu.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Se você me amasse de volta,
Eu decerto que seria mais feliz,
Eu não estaria agora apenas pensando em ti,
Eu estaria contigo, e você também pensaria em mim.

Se você me amasse de volta,
Eu não falaria de você para aquele meu amigo,
Eu mandaria para o inferno aquele meu amigo,
Eu estaria com você, e só com você.

Se você me amasse de volta,
Eu não te apontaria dizendo
"É aquela lá que eu tanto queria ao meu lado."
Apenas apontaria a minha garota, e só.

Se você me amasse de volta,
Eu não imaginaria a minha vida toda ao seu lado,
Eu faria planos de como viveríamos,
E pensaria apenas no nosso futuro.

Se você me amasse de volta,
As coisas seriam tão mais simples:
Eu seria seu, você minha,
E esse poema jamais existiria.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A prisão.

Eu não vi,
Eu deveria sentir?

Eu pressenti?
Eu pressenti, ou melhor, vi.
Vi toda sua frieza
Com seu distanciamento
E sua tristeza,
Eu pressenti a traição.

Tenho saudades de ti,
Mas não daquelas palavras,
Daquelas palavras tão mal ditas,
Gaguejando, fraquejando e me abandonando.
O fim em cinco palavras.

Agora meu coração se fechou,
Meu coração é uma prisão,
Que me impede de amar outras pessoas.

Se ele será livre?
Eu não sei.
Se você um dia me amou?