Não sou eu quem vai salvar o mundo,
Já está suficientemente difícil salvar a mim mesmo.
Não me importa a economia,
Nem as políticas ou os problemas sociais.
Minha política é a do alheamento.
Também a arte mal me importa.
Podem dizer que o digo por ser mau artista,
E que escondo minha incompetência
Por trás de um falso desinteresse.
Mas pouco me importa,
Assim como o resto da vida que vivo.
E se eu escrevo estas frases ingênuas
É porque elas pedem para ser tossidas para fora do meu ser.
Não sou nada do que deveria ser.
Quando sinto-me bem para tomar a palavra
Não tenho o que falar.
E quando minha mente ferve com argumentos
É aí que acanho-me.
Sou um sol forte que não aquece,
Ou uma nuvem negra que teima em não chover.
Eu, falso poeta com falsas ideologias,
Que finge saber coisas que não conhece,
Apenas mentiras em lugar de pensamentos.
Eu, menino simples que fala a palavra amor.
Amor que não existe.
Amor é só isso.
Amor é só minha carência afetiva,
Um sorriso de uma moça graciosa,
E muitos poemas para a moça,
Que nunca saberá que eles existiram.
Amor é só isso.
Amor, eu posso apaixonar-me enquanto caminho.
Basta olhar para o lado e ver uma moça adorável,
Com sua camiseta branca e calça qualquer,
Seus óculos, que elegância.
E os seus cabelos, que eu acho a coisa mais estonteante,
Apesar de conhecê-la há dois minutos.
E deveria eu compará-la a um dia de verão?
Não, não deveria, de modo algum.
Deveria compará-la a um minuto de abril,
Deveria compará-la à minha carência afetiva,
Pois isto é o que ela é,
E isto é o que ela sempre será.
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