quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vinte e quatro mil quinhentos e trinta dias.

Cada segundo a mais que vês do filme que passarás a adorar
É um segundo desconhecido a menos do teu agora filme favorito.
Nunca mais ouvirás aquela frase de efeito e sentirás a mesma tristeza,
Nunca mais aquele beijo repentino surpreender-te-á.
E o final, esse será sempre igual,
Pouco importa se o querias pouco melhor,
Ela nunca o amará de verdade,
Ele nunca deixará de ser um tolo.

Do mesmo modo, cada palavra que lês do livro que encantar-te-á
É uma palavra a menos no rol das palavras que te emocionam,
Sempre que leres aquele verso, saberás o que o segue,
E nunca mais te empolgarás ao entender o jogo métrico com o sentido,
Pois já o conheces de cor.
E a virada no enredo nunca mais te pegará de surpresa

E cada beijo que te dou é um beijo a menos entre os que posso dar-te,
Cada sorriso que me sorris é um sorriso a menos nos que tirarei de ti.
Os segredos que me contas são a minha maior tristeza,
Pois nunca mais serão secretos, perderam sua pureza.
Até o dia em que partirás e tudo isso que era porvir tornar-se-á passado.

Assim é a vida, um constante fazer coisas que nunca mais poderão ser feitas,
Uma constante perda de pureza, de mistério, de surpresa,
Um olhar para trás e ver o que já foi presente e antes disso futuro,
Uma luta contra a passagem do tempo e suas implicações,
Desde a hora em que nascemos e tudo no mundo é futuro,
Quando o mero respirar é coisa nova
Até o dia da nossa morte, quando nada mais nos resta.

2 comentários:

  1. Quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?

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  2. é o que eu digo: o presente é o futuro passado

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