quinta-feira, 8 de março de 2012

A invenção do amor.

Sorriu-me mais do que deveria, querida,
Agora o estrago já está feito.
Não me venha com desculpas
Ou com falsas verdades.
Você sabe que não devia ter feito isto,
E agora estou aqui, a escrever-te teu poema inaugural.

Ninguém jamais saberá o quão bonita é essa sensação,
Cair em amores tendo perfeita consciência
De que tudo dará errado, de que sofrerei novamente.
Não, ninguém faz ideia de como isso é bom.

Pouco importa, honestamente.
Tanto ninguém saber quanto a certeza da decepção,
Pois não é saber que terei meu coração partido
Que me impede de parti-lo.

Mas a culpa é toda minha, admitamos.
Não é porque me sorriu,
Não é porque é tão linda,
Não é por nenhuma intervenção divina.
É porque eu nasci para isso,
Mentir, criar e dissimular.
Eu nasci para abusar de clichês,
Eu nasci para dizer-te que te amo
Sem amar-te completamente.

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