Eu não nasci para ser herói,
Eu não nasci para nada grande.
Eu nasci para a miserabilidade,
Nasci para qualquer coisa,
Contanto que seja pouca.
Criei um império melancólico,
Mas império esse de castelos de areia
Ou qualquer coisa cliché.
Como os sonhos que tive, que foram diversos.
Mas esses sonhos foram devorados
E hoje alguém os digere.
Não, nunca tive ninguém,
Nem ninguém me teve,
Muito embora eu me oferecesse.
Pois até mesmo meu único caso de amor,
Foi um caso sem amor.
Ela sabia que a forma certa de amar
Era não termos de tocar um ao outro.
Ela entendia que a ausência
Apenas fortalecia a nossa relação.
Até o momento em que alguém lhe mostrou
O que realmente era amor,
E agora ela está lá fora,
Vivendo, amando, sentindo.
Sem mim, é claro.
Hoje nem sei o que sou,
Sei que não sou nada que valha,
Pois isso é tudo que sei.
Não sou herói, não sou amado,
Disseram uma vez que eu era gênio,
Mas só haveriam de estar brincando.
Até porque eu jamais quis ser gênio
E não sei onde eu teria errado
Para que eu pudesse ser um.
Acredito ser poeta, e só.
Apesar da ânsia comum por se etiquetar,
Poeta e só poeta.
Sem mim as pessoas vivem,
Mas preferimos não tentar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário